quinta-feira, 31 de dezembro de 2009


204- DE BRANCO
Autor: Clos Henrique Rangel


De branco
Eu vi as horas
Passarem...
O tempo passar
Assim,
Como se nunca
Passasse.
Com se não
Fosse eterno
Passante...
E o amanhã
Fosse outro número
Que dissesse algo
Para os seres
Do mundo...


De branco,
Para dá sorte
E por que gosto,
Eu passei
Passando o ano
Que foi
De novo...
Esperando
O novo ...
Como se fosse...


Os fogos
Festejam esse
Imaterial ser
Como se fosse...
Pobres homens
Escravizados
Pelo tempo
Como se ele
Pudesse ser traduzido
Em números...


A esperança
Essa que nunca
Morre
Enriquece o novo ano
Esse bebê
Que morre
Todo ano...


De branco
Eu passo
Mais um ...
E engrosso
As fileiras dos
Sorridentes,
Esperando...




OUTRO
Autor : Carlos Henrique Rangel

No outro
Eu vi
O que não queria
O que pressentia.
No outro
Joguei minhas
Frustrações
Minhas expectativas.
No outro
Me ví do avesso.
A diferença
Do que penso ser...
No outro
Depositei meu ódio
E meu amor
E me fortaleci...
No outro eu vi o que sou
O que quero ser
E o que não...
Vi o inferno
No outro
E o Céu nas entrelinhas.
O outro
Me ensina
Me molda
Me inibe
Me constrói
Me faz...
O outro ...
O outro
Sou eu
Diferente...

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009



203 - NOSSA!
Autor: Carlos Henrique Rangel

Nossa!
De onde surgiu
Essa deusa?
Que beleza!
E fala...

Nossa!
Não desvio
Os olhos...
Filmo
Cada detalhe...
Dos cabelos
Aos pés,
Dos olhos negros
à boca rasgada.

Nossa!
Fico sem graça...
Finjo que não vejo
Mas é tarde
Apaixono...

Nossa!
Tão rápido?
Amei tanto
Que me assusto...

Nossa!
Acho que fujo...
Se me olhar
Eu não sei...
Se me chamar...
Desmaiei...

Nossa!
É muita areia...
Meu mundo é pequeno
Para tanto
E me recolho
Ao meu canto...
Mas...
Mesmo assim...
NOSSA!

202 - QUERÊNCIA
Autor: Carlos Henrique Rangel

Queria
Ser grande
Para ser...
Tão Pequeno...
Falar mais
Alto
Para ser
Ouvido menos.
Queria
Lembrar mais
Para me esquecer...
Tantos quereres...
Não te ver
Seria o Primeiro...
Mas como?
Como seria
Se você não
Existisse?
Eu seria?
Queria
Me perder
no desencontro.
Quem sabe
Me encontro...
Sem você...
Mas como seria?
Eu existo
Sem você?
Eu estou
Se você...?
Ah... Essas
Querências...
Queria
Ser menos
Para ser mais...
Ser só
Para não te ter...
Mas como?
Não sou
Homem
De uma nota
Só.
Sou sinfonia
Em você...
Mas...
Queria me ver
No Espelho
Encontrar quem fui
Para ser...
Mas como?
Como?
Sem você?

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009


201 - DE DOIDO
Autor: Carlos Henrique Rangel

Eu gostei...

Você gostou?

A noite caiu

Meio assim

E não tinha estrelas

Nem a Lua me viu...

Mas eu gostei...

Você gostou?



Eu sei...

Prefiro com estrelas

E com a moça redonda

me seguindo do alto...

Mas nada disso importa

Se as estrelas estão

à solta dentro

Do meu campo de visão...



Quanta beleza

Onde não há...

E poucos tem olhos

para ver...

Eu também não tinha...

Há beleza em tudo

Mesmo quando não há...



Eu sei... Pirei...

Mas te garanto...

É melhor pirar...

Até em uma rachadura

Eu vi...

Você não?

Pois é...



Eu gostei

Você gostou?


BARRIGUDA
Autor: Carlos Henrique Rangel

A barriguda frondosa

adorada, amada,

sombra dava

refrescava.

Respeitada,

cobria a vida

da gente

que passava

ou ficava

na praça...

A barriguda

adorada

assistia

as idades

das gentes:

pirralhos, adolescentes

idosos...

Todos frequentes

no constante

vai e vem

dos dias...

Um dia de noite

turva,

iluminada

por raios cortantes

a barriguda frondosa

alvo fácil

e orgulhoso

foi rasgada, mutilada

pelas lâminas

das nuvens...


Morreu a barriguda

adorada

tanto amada.

O povo que a amava

chorou suas dores

e como parente querido

foi velada

pela madrugada

em rezas, choros

e velas...

Em poemas e desenhos

foi cantada...

Foi-se a sombra

que dava...

A cobertura

de vidas.

O olhar de quem

passava...


Mas...

Mistério divino...

O que se tinha perdido

lamentado e chorado

por milagre dos Céus

voltou à vida

em pequeno broto.

Ressuscitou

a barriguda adorada

para alegria do povo.

Voltou aos vivos

o que se tinha perdido...

Para a alegria do povo.

A barriguda

adorada

que sombra dava

continua...

Assiste as idades

das gentes:

Pirralhos, adolescentes

idosos...

Todos contentes.

E rezam agradecidos

aos Céus

o milagre presente.

200 - NUBLADO
Autor: Carlos Henrique Rangel

Nesse dia nublado
Até o meu coração...
Sem luz...
Mas eu sei
Que há luz...
Por trás dos
Olhos tristes
A luz que
Move o mundo
Se esconde.
O elo existe
E une a todos.
Poucos vêem
Mas está lá.
Mesmo nesse
Orvalho preguiçoso
que cai sem parar...
Esse verde
É muito mais...
Como aquela
Senhora que passa...
Somos mais
Mesmo nesse dia
Nublado
Onde até
O meu coração...
Alguém quer
Dormir
Mas os sonhos
São elos
Para a criação.
Há beleza até
Nos que não são...
Nesse dia nublado
Até o meu coração...

domingo, 27 de dezembro de 2009



INTERNET
Autor: Carlos Henrique Rangel

(...)
Ninguém entrou?
(...)
Estou só... Precisando falar com alguém...

(Oi...)

Quem é?
(eu)

Pensei que estava trabalhando?
(estou... Mas sempre abro os e-mails)

abriu os meus?
(abri)

Porque não respondeu? Fiquei mal...
(foi de propósito...)

Gosta de me ver assim... Mal? Você é má...
(Queria ver o que você iria fazer...)

Não fiz muita coisa... Fiquei te esperando... Na verdade implorando em pensamento...
(bobo... Não era preciso...Eu estava aqui)

Mas eu não sabia... Agora sei... Da próxima vez te encho de poesias...
(aí eu respondo rápido)
Eu sei, você adora poesias...
(E você)
Não sei... às vezes acho que não...
(Bobinho, gosto sim... Eu te adoro...)
Eu que não demonstro isso né?
(Você se acovarda... Não quer me ver)
Não foi eu que não quis encontrar com você outro dia...
(Tinha compromisso combinado há tempos...)
Quem diz que quer alguém, dá um jeito... Como disse o grande Mestre: "Os amigos você sempre os terá... A mim... Não...Se ele não disse, pensou...

(como você é egoísta...)
Não sou não... Só queria te ver...
(Vem encontrar comigo em minha casa...)

Você sabe que não posso...
(Isso é uma perda de tempo... Adeus...)

Espera... Não vá ainda... Ei! Não vá...
(...)
Eu te escrevo amanhã... Um grande beijo... Não, dois grandes beijos...

198 - COISAS DITAS
Autor: Carlos Henrique Rangel

Há coisas
Que foram
Ditas
Sem terem
Sido...
Há coisas
Que nunca
Foram ditas
E estavam lá...
Outras
Se perderam
No ar...
Eu te disse
Tanto sem dizer
E você não viu
Ou fingiu...
Não preciso
Berrar sentimentos...
Eu sou todo sentimentos.
Minhas palavras
Te falam todo o tempo
E você não leu.
Quantas rosas enviei?
Sim, eu sei...
Rosas virtuais...
Quantos bateres de asas?
Anjos...
Anjos também amam
E os peixes...
Há coisas ditas
Nas entrelinhas
Não viu?
É...
Talvez não interessem
As mensagens...
Pode ser...
Eu continuarei
Gritando seu nome
Em palavras
E te amando em linhas...
Dizendo coisas
Que nunca foram
Ditas
Mas que estarão lá...


199 - PARA O MUNDO
(Para Ceci)
Autor: Carlos Henrique Rangel

Ela abre os braços
Para o mundo
E diz vem...
Quanta vida
Pulsando nessa
Bela mulher...
Vem...
Diz a menina
Gritando ao céus
Para as forças
Do mundo
E suas asas
Transparentes
Brilham
E só os iniciados
Podem ver.
Ela é mulher
Borboleta
Que tem o tempo
Do mundo,
Quer sugar
O que puder...
E abre os braços
Para o mundo
E diz vem....

sábado, 26 de dezembro de 2009


196 - NAQUELA NOITE
Autor: Carlos Henrique Rangel

Naquela noite
Ela disse me amar
Me beijou os olhos
E me salvou...
Naquela noite...
Eu bebi a felicidade
Como criança
E acreditei
Que o mundo era lindo
E eu... Um príncipe.
Naquela noite
As estrelas brilhavam
Mais
E a Lua estava ali.
Ela sorria
Jogando os cabelos
E dançou só para mim
Eu acreditei...
Naquela noite
Senti seu suor
Como perfume
E quis lhe banhar
De cerveja...
Ela ria de mim
Ou para mim
E eu gostava.
Naquela noite
Tudo era mágico...
Para mim...
E a musica
No ar
Me chamava
De meu bem.
Ela brincava comigo...
E mais alguém
E eu achava
Que tudo era
Só para mim.
Naquela noite
Ela me beijou o rosto
Se despedindo.
E eu a vi partir
Com uma sombra...
As lágrimas
Vieram me fazer
Companhia
E eu as aceitei...
Naquela noite
Brilhavam estrelas nubladas
E a Lua envergonhada
Se escondia
Em uma nuvem...

O táxi me levou
Para casa.



197 - Ela
Autor: Carlos Henrique Rangel

Ela
Tatuou seus beijos
Em meus lábios
E eu não
Consigo mais
Me ver sem...
Ela
Me marcou
Com suas unhas
E guardo
Os caminhos
Trilhados
Em caixa secreta.
Ela
Bebeu meu sangue
Em várias horas
Noturnas
E amassou
Minha cama
E eu não consigo
Acordar sem...
Ela
Lavou minha louça
E me chamou de bem...
Eu me perdi
Em seus braços
E não quero
Mais ninguém.
Ela
Me sorri no espelho
Ri de minhas dores...
Não me quer mais.
Eu...
Limpo os lábios
Cuido das feridas
Arrumo a cama
E sofro
Um pouco mais...

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009



INVISÍVEL
Autor: Carlos Henrique Rangel
Eu sou seu
Homem invisível
Escondido atrás
Da máquina...
Um homem mudo
De palavras faladas
Mas ditas pelos dedos
Que tocam leve
As teclas como
Se te acariciassem.
Eu sou o homenino
Virtual
Que te ama
Em gigas
Que se esconde
Cheio de desejos
Diante da tela...
Eu te quero muito...
Mas sei que sou
Um homem
Invisível
Visivelmente
Perturbado
Por esse namoro
Virtual...


TOQUES
Autor: Carlos Henrique Rangel

Olha,
Feche os olhos...
Fechou?
Minhas mãos tocam
Seus cabelos...
Sentiu?
Estão no seu rosto agora
Seguram suas faces...
Sente meus lábios?
Eles beijam seu rosto...
Seus olhos...
Seu nariz...
Sua boca...
Abra a boca...
Deixe que te sinta...
Que te veja
Por dentro...
Deixa...

Me sinta
E deixe que te sinta.
Me abrace
Assim... Forte...
O seu calor...
O seu calor...
Sinta o meu corpo
Te completando...
Minhas mãos...
Deixa deslizarem
Sobre sua pele...
Sente?
Sinta meus dedos
Brincando em seu ombro...
No tronco... Na cintura...
Deixa meu calor
Se unir ao seu...
Agora...
Agora me beije
Nesse abraço...
(...)
PRONTO!
ESTÁ BOM ASSIM.


NO FUNDO DO CORAÇÃO
Autor: Carlos Henrique Rangel

No fundo do coração...
Por que não?
Por que não agora?
Por que não lá fora?
Por que não depois?

No fundo do coração...
Por que não no passado?
Por que não em outro mundo?
Por que não?
No fundo do coração...
No futuro?
Por que não?


COLO
Autor: Carlos Henrique Rangel

Quero colo...
Meu sorriso
Está amarelo
E já não diz
NADA.

Meu tudo
Se foi quando
Me perdi
Em seu olhos...
E já não vejo
As coisas
Como são...

Sonho com
Toques
E confundo
O real...
Já não sei
Se vou
Ou se passo
Se fico
Ou caminho
(para seus braços).

Sou fugitivo
De mim
E se me pego
Não sei...
Quero colo...
O seu...
Não fuja
De mim
Deixa que
Isso eu faço...

Sou covarde
Cheio de intenções
E desejos...
Mas herói sensual
E te salvo
Com meus beijos
Nesse nosso
Mundo virtual...

Quero colo
Macio
Regado a toques
De mãos pequenas
Eu sei...
Não precisa
Dizer nada...
Nosso amor
Está escrito
Nas areias...

(Apenas
Me dê colo...)

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009



CENTELHA 8
(Da série "Centelhas")
Autor: Irmão Paulo de Paz ou como preferirem Carlos Henrique Rangel
O amor é a chave mestra
que abre todas as portas.
A solução das soluções.
A resposta das respostas...
A sua força é tamanha
que constrói o que foi destruído
e faz florescer onde nada havia.
Seu poder povoa os mundos.
Sua beleza encanta os olhos
e rejuvenesce os anciões.
Sua candura apascenta as
crianças e conforta os doentes.
Sua pureza transborda por
todos os poros e impregna
a todos que toca.
O amor não se mostra,
se sente no fundo do coração
e no gosto das lágrimas nos olhos.
No esforço imperceptível de um sorriso
e na leveza de um beijo.
O amor é a flor das flores.
O perfume dos perfumes.
A beleza das belezas
e a simplicidade das simplicidade.
E é nesta simplicidade que se resume
a sua definição,
porque o amor é o sentimento
dos sentimentos.
O pulsar contínuo do Universo.

FELIZ NATAL!

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009



FRAGMENTOS DE UM CONTO.
SOLIDÃO
Autor: Carlos Henrique Rangel

O carro freiou cantando sua música e os dois pularam assustados para o passeio.
- Merda! Viu só... quase nos pegou. Essa porra de cidade...- Reclamou o rapaz.
- Calma ... – Pediu a moça.
- Calma ! Olha, não sei o que você vê nisso aqui, porque não quer ir comigo? - Perguntou o rapaz.
A moça jogou o cabelo para traz pensativa. Deu alguns passos e o esperou.
- Eu nasci aqui. Gosto daqui . Você não entende ? tenho meu trabalho ...
– Justificou a garota.
- Mas você pode estudar lá, basta querer , quem sabe na mesma escola que eu.. parece que não gosta de mim... – Tentou convencer.


Ela gostava . Mas gostava também de se mesma. Tinha seu ritmo, mais lento que o dele, calmo como uma brisa. Ele era um furacão acadêmico correndo atrás de títulos, um canibal do saber.

Ela se contentava em ser uma provinciana de cultura mediana, com a ambição de passarinho.

Ele tremia com a febre dos que querem abraçar o mundo e a Lua e depois o Sol.

Ela queria o socego de um banco de praça ao som de pardais e o calor de um Sol da manhã.

Ele acordava cedo e digeria livros no café da manhã e redigia textos em línguas diversas.

Ela fazia oito anos de uma calma rotina profissional. Degustando cada dia de seu mundo igual.

Ele possuía um grande curriculum e uma carteira profissional abarrotada de experiências gratificantes mas ainda insuficientes .

- Uma cerveja. – Resmungou a moça.
- Oque?
- Vamos tomar uma cerveja. – Repetiu.
- Ora não desvia o assunto. Me dê apenas uma razão para não querer ir.- Pediu ele.
- Te dei várias. – Respondeu ela.
- Me dê uma séria.
- São todas sérias... Para mim...
- E para mim ? – Perguntou o rapaz.
- Para você a eterna insegurança do infinito.
- Quero mais. Quero você.
- Você quer demais ... Porque não menos? - Pediu ela.


Ele tentou sorrir. No momento queria uma cerveja. Pararam em um bar e pediram.
- A sua saúde.
- A sua .
- Pode ser a nossa...

Ela riu. Bebeu uma pequena quantidade do líquido e chorou.
- Você é diferente.
- Somos diferentes.
- Queria que fossemos iguais.
- Queria ser como você... Mas não sou...
- As cidades são iguais.
- Então fica... – Pediu a moça.
- Então vem ... – Retrucou o moço.
- Não posso, não sou como você.
- Sim . Não é...
- E o amor?
- E o amor...

Os dois choraram. Lá fora uma chuva fina caia apavorando a rua . Uma menina aproxima vendendo rosas...


( Não é o fim. Essa pequena passagem faz parte de um conto)

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009


O SER
Autor: Carlos H. Rangel

Que venha esse ser
Cheio de pureza
Para embelezar nosso horizonte
Para alegrar nosso futuro
Para estar ao nosso lado
Agora e sempre...
Que venha esse ser
Pequenino
Que se fará
Grande como nosso amor
Por ele....
Que venha esse ser
Para ser apertado
Em nossos braços
Com força
E estar ao nosso lado
Em cada amanhecer.


Que venha esse ser
Sempre
Em sua juventude
Em nossa velhice
Em toda eternidade...

DESEJO A TODOS UM FELIZ NATAL

domingo, 20 de dezembro de 2009




LOUCURA!!!!
Brueghel traduz bem a loucura nessa imagem

Pintor flamengo. Conhecido como Brueghel, o Velho, para o distinguir do seu filho, também pintor. Estuda em Antuérpia com um mestre, mas de imediato cria um estilo próprio caracterizado pela abundância de colorido. Os seus quadros, de costumes na sua maioria, reflectem a vida quotidiana da sua época e, ao mesmo tempo, pretendem interpretar a realidade, umas vezes com profundidade e outras de maneira anedótica, As suas obras estão repletas de pequenos pormenores reais e oníricos. Por outro lado, o conjunto da sua produção reflecte, de modo inevitável, as atribulações de uma época de confusão e de mudanças marcada pelas guerras de religião. Está considerado como o iniciador da escola flamenga que domina o mundo da pintura europeia durante parte do século XVI e no XVII. Entre as suas obras há que citar O Triunfo da Morte, A Parábola dos Cegos e A Torre de Babel.

LOUCURA!!!
aUtOR: CaRlOS HenRiqUe RaNGEL


Seremos os loucos?
Não estou queimando
Florestas...
Não destruí Hiroxima...
Não mato baleias...
Nem derreto gelo...
Só bebo minhas
Tristezas em mesa
De bar
Sofro por amores
Danço sozinho
E rio de mim.
“Não sou alegre
E nem sou triste...
Sou poeta...”

Louco?
“Dizem que sou
Louco”
Por ser assim...
“Mas louco é quem
Me diz...”
Eu sou feliz...


ESQUINA
Autor: Carlos Henrique Rangel

Minha sede
Eu mato na esquina...
Apago a dor
Da retina
Na esquina...
Um gole ou dois
É o começo do esquecimento.
Outros virão depois...

Minha sede
É infinita...
Vem de tempos
Imemoriáveis
De carências antigas.
De amores perdidos...
De dores repetidas...

Minha sede
Eu mato na esquina...
Mentira repetida...
Minha sede é imortal
E como fênix
Renasce todos os dias...
Minha sede...
Repito...
Eu mato...
Na esquina...



 SOLIDÃO
Autor: Carlos Henrique Rangel

De novo o frio
E a solidão...
Um silêncio
Quase um berro
Vigia a sala vazia
E me espreita o coração...
Lá fora
A noite é um reflexo
Do meu peito
E eu lamento...
A tristeza
É menina má...
Brinca de machucar...
Dói
E ela sabe que dói...
Uma ruga pesa
Em minha testa...
Que vontade de dormir
E acorda feliz...

Sonhar é bom...


195 - PEGADAS
Autor: Carlos Henrique Rangel

Viver é deixar pegadas...
Já pisei tanto...
Em coisas de bichos...
Em coisas de Homens...
E em algumas mulheres...
Sem querer...
Já dei passos largos
E cai...
Levantei e continuei.
Dei voltas em buracos
E outros não vi...
E cai... Novamente cai...
Ás vezes a pegada era forte,
Pesada pela dureza da caminhada...
Outras,
Foi leve,
E as marcas deixadas
Quase não se viam...
Viver é deixar pegadas
E eu já caminhei muito...
Deixei frutos pelo caminho
Ensinei a caminhar
E fiz outros caminharem...
Também fui ajudado... E como...
E agradeço a estes companheiros
De Caminhada...
Nunca...
Nunca atrasei ninguém...
Acho...
Não vou empurrar
Nem buzinar...
Espero minha vez...
Sempre fiz assim.
Viver é deixar pegadas
E o mundo já está
Repleto das marcas
De minhas sandálias...
Caminhei tanto
Que dei voltas no planeta...
Mas tenho tanto a caminhar...
Tantas pegadas a produzir
E viver
Como já disse,
É deixar pegadas.


194 -UNIVERSO PARALELO
Autor: Carlos Henrique Rangel

Meu amor
Se foi...
Sumiu nesse
Universo Paralelo
Para onde
Vão os guarda-chuvas
Perdidos...


Eu também
Não me encontro
No mundo.
Apenas me
Lambuzo
De seres
Indesejáveis
Tentando me achar...


Não acho
E acho
Que não sei
De mais nada...


Tento me refugiar
No Universo Paralelo
Onde se encontram
Os perdidos.
Meu amor
Está lá...
E eu caminho
Em suas ruas
Tentando encontrar.




Nesse Universo Paralelo
Onde estão
Os guarda-chuvas
Perdidos
Vejo amores
Antigos
Quem não teem
Mais sentido.


Mas ela,
Meu amor
Recente
Ainda não vi.


Mas ...
Está lá
Entre seres esquecidos
Entre guarda-chuvas
Perdidos...


OBSERVATÓRIO
Autor: Carlos Henrique Rangel

Observo a menina
De sorriso
Triste
Que tem como
Sina
OBSERVAR...

Observo
O Olhar
Da menina
E de suas
Iguais.
Todas
Com a mesma
Sina:
OBSERVAR...

Observo
Esse corpo...
Essa voz
De menina...
Observo...
E essa está
Sendo a minha
Sina:
OBSERVAR...

Observo a menina
E seu pensar...
A menina
Que observa
Me faz
Observar...

Quanta
Coisa se aprende
Ao observar...
Observar
É bom
E me faz
Amar...
Mais.

Observo...
E essa está
Sendo a minha
Sina:
OBSERVAR...


 BELO HORIZONTE
Autor: Carlos Henrique Rangel

Em suas ruas
Em minhas noites
Derramei lágrimas
Alcoólicas de homem solitário.
Em suas ruas amei
Desavergonhadamente
As companheiras momentâneas
Com a cumplicidade
De suas árvores, postes e muros...
Em suas ruas esperei
Coletivos noturnos
Sob as chuvas teimosas e frias...
Descarreguei excessos
Amarguei remorsos
E encontrei o carinho
De mãe professora e amante...
Em suas ruas me vi menino
Espremido pelas multidões...
Me vi jovem perdido
Me vi homem querido
Pelos seus grilhões


SABARÁ
Autor: Carlos Henrique Rangel

Sabará
Sabará
Volto lá
No Carnaval
No festival
Na festa
Que vier.
Sempre
Que der...
Volto lá
Para ver
O passado
Presente
E esquecer
Meu passado
Recente
Num presente
Despreocupado
Ao lado de sua gente...

Sabará
Sabará
Sempre
Será
A Sabará
Risonha
Descontraída
Profana
E religiosa.
Dinâmica
Pérola barroca
Me esperando
Para o carnaval
Ou outro
Ritual...

sábado, 19 de dezembro de 2009



Amar
Autor Carlos H. Rangel

A vida continua
Mesmo que as desilusões
Venham criar loucuras na mente
Mesmo que a verdade crie esperanças
E que as esperanças não passem de impulsos
Para viver...
Mesmo que viver se torne amargura
E a amargura a vontade de amar
E amar seja um doce sofrimento
E que o remédio seja o esquecimento
E o esquecimento um remédio não querido
E o querido, o que se sabe já perdido
E o perdido, uma vontade chorar...
A vida continua...


TEMPO DE AMOR
Autor: Carlos H. Rangel

Te amo
Mais a cada
Segundo
Te quero mais
Cada minuto
E morro por você
A cada hora
E me destruo
A cada dia
Pensando em você
Pensando em te ter
Sempre ao meu lado
Em cada segundo
Em cada minuto
Em todas as horas
Do dia.

JEITO
Autor: Carlos Henrique Rangel

Quero te ver
De outro
Jeito
Se houver
Outro jeito...
No escuro
De uma esquina
Num bar
Ou uma piscina
No mar...
No olhar...
No toque
De mão
De menino...
No beijo
Conhecido
De antes...
No segredo
De nossas noites...
Nas caricias
De velho amante...
Quero te
Ver de outro
Jeito...
Se houver
Outro jeito...



sexta-feira, 18 de dezembro de 2009


193 - LÁBIOS
Autor: Carlos Henrique Rangel

Eu quis te morder
Os lábios ontem...
Tinha fome
De você.
Mas você
Não me via
Em sua arrogância...
O copo amarelo
Foi minha
Recompensa
E a loura
Do lado
Me disse sim...
O lençol
Que conheci
Não me agradou
O sono...
Continuo
Com vontades...
Mas ...
Mordi seus lábios...
Em sonhos...

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009



192 - FOLHA SECA
Autor: Carlos Henrique Rangel

Eu vi uma folha
No chão.
Uma folha seca
No chão.
Caiu de árvore
Distante
Rolou,
Foi adiante
E agora está
sobre meus pés


Uma linda folha
seca
Cheia de vida
Em sépia...
As inimigas
E as que se dizem
Amigas
A invejam...
Porque é linda...
Uma linda
Folha seca
Em sépia...


Eu reluto
em pegar...
Colecionar
Essas belas
Folhas secas...
Esse fenômeno
Da natureza...
Sou moço
Tímido
E...
Tenho medo
De Folhas Secas
Esses seres outonais
Que caem de árvores
Distantes
E posam sobre
Nossos pés.


191 - SOPRO DO TEMPO
Autor: Carlos Henrique Rangel

O tempo soprou
E meus cabelos
Se tingiram de Branco.
O tempo se moveu
E eu que era eterno
Me vi pó.
O sopro do tempo
Beijou minha face
E vincou minha pele
Com caminhos
De lágrimas.
O tempo soprou
Em minha rua
E jogou por terra
O sobrado.
E asfaltou
Seus caminhos...
A praça sentiu o tempo
O coreto se desfez
E os canteiros morreram...
O sopro do tempo
Me assusta
E eu não piso
Mais no rio...
O tempo soprou
Suas pragas
E eu chorei
Minhas dores
Refugiando
No passado.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

VOCÊ
Autor: Carlos H. Rangel

Você...
Não te vejo
Em ninguém
Em que me obrigo
A ficar...
E fico por gostar
Do doce perfume
Feminino...
Mas não é VOCÊ...
Eu não sei outra coisa...
Só sei VOCÊ...
Nenhuma cor
De mulher
Nenhum beijo...
Me faz esquecer
VOCÊ.
Todas as belezas
Mundanas...
Você eu penso
Nos instantes...
Naqueles mais
Íntimos...
VOCÊ eu sinto falta.
VOCÊ eu amo
No corpo,
No amor
Do momento...
No momento
Da dor de
Quem gosta
De gostar
E sofrer
Pensando
Em VOCÊ.


 MADRUGADA
Autor: Carlos H. Rangel

Nessa madrugada
minha alma parece uma metralhadora disparando poesias
para te preencher o dia...
Minha moça virtual...
já não consigo viver sem te escrever
e você some
e eu te ligo...
Finjo um dialogo contigo...
Te jogo letras borrifadas de cervejas do passado...
E espero suas palavras ...

Não quero dizer mais nada...
As palavras... São perigosas lâminas
que podem acariciar e ferir...
(Não necessariamente nessa ordem)

Apenas te deixo.

PEDAÇOS DE AMOR
Autor: Carlos H. Rangel

Em cada curva
Um pedaço de amor...
A dor
A força da dor
O ser que ama
Na dor...


Um pedaço de amor
Em cada curva
Em cada músculo...
No respirar
No suspirar
Em cada curva...


Um pedaço de amor
Por ti
Por só
Assim viver...


Em cada curva
Em pedaços de amor...
190 - SENTIDO
Autor: Carlos Henrique Rangel

O que tem
Sentido
Eu sinto.
Mas o sentido
Eu senti
Quando conheci.


Eu dei
Sentido
Ao que conheci
Quando conheci.
Antes...
Não via sentido
ao que via.


Mas quando
Ví e percebi
Entendi
Conheci
E o sentido
Vi...
E senti.


Tudo tem
Sentido
Quando
Tem relação
Comigo.
Quando
Tem sentido,
Quando sinto,
Quando
Percebo o sentido.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009


189 - PASSAGEIRO
Autor: Carlos Henrique Rangel

Minha criança
Sorriu
E eu apenas olhei
Meio assim...


Há dias que
Levanto de pé esquerdo...
Hoje levantei com as mãos...
O Sol brilhava
Meu coração não...
Mas a luz nos óculos
escuros
Era passageira...
Como a senhora
que me espremia
no banco do ônibus...


Já disseram: Tudo é passageiro...
Não o motorista
Não o trocador...
Eu passei e cheguei...


E o dia acabou como
Minha alma...
Úmido...Chuvoso...
Passageiro...


Eu ainda estou aqui...
Daqui a pouco
Serei passageiro
e me verei na cama...
Só de passagem...


Amanhã é outro dia...
Quem sabe levanto
De mãos atadas
E não escrevo mais...

188 - JARDIM
Autor Carlos Henrique Rangel

Meu jardim
Tem as cores da vida
E os canteiros
São labirintos
Onde me encontro...
E outros se perdem...
Quando me encontram...


Estou ali em meio
Às rosas...
E as rosas... As rosas não falam...
Mas vêm...
Meu jardim tem de tudo...
Um pouco...
Muito de mim...


Reviro a terra,
Acaricio pétalas...
Beijo algumas flores...
Só algumas...
Meu jardim não é em sépia...
Tem as cores da vida...
É multicor mas predomina
o azul e o branco...


Mas tem verde...
E sépia também...
Há lugar para todos
No meu jardim...
Os canteiros
São labirintos
Onde me encontro...
Onde te encontro...
Onde nos perdemos...
187 - DESEJOS
Autor: Carlos Henrique Rangel

Há desejos que não falo...
Nem demonstro...
Sofro sozinho...
Tenho remorsos...
Há desejos
Que são segredos.
Impossíveis....
Doem no peito...
E eu finjo realizá-los
Em sonhos...
Há beijos que nunca
Foram dados...
Abraços perdidos
Na vontade...
Há palavras que
Nunca foram ditas...
Covardes desejos...
Acumulados em
Folhas amarrotadas
Do meu diário...


Há desejos que não
Podem ser realizados
Para não se diluírem
Na realidade...


Desejos duram para sempre...
A realidade não é eterna...
Ela se desfaz na decepção...


“E viveram felizes para sempre...”







domingo, 13 de dezembro de 2009


185 - PESSOA
Autor: Carlos Henrique Rangel

Ei pessoa!
Também sou
Pessoa...
Tenho sentimentos
E desejos
Transmito conhecimento
E amor...
Amo muito...


Ei pessoa!
Sou ser humano
Frágil com carências
Esquecidas
Adormecidas...
Humanas.
E você sabe,
Errar é humano
Ou seria desumano?


Ei pessoa!
Também sou
Uma pessoa...
Debulho minhas
Dores
Em bares
E bancos de praça...
Dou milho
Aos pombos
E leio poemas...


Ei pessoa!
Sente ao meu lado,
Segure minha mão...
É quente...
Mas o coração
Não é frio...Morno...
Observe meus
Cabelos brancos
Te garanto,
Não são luzes...
Sou pessoa...


Ei pessoa!


186 - DECIFRA-ME
Autor: Carlos Henrique Rangel

Decifra-me
E eu te devoro.
Descubra quem
Eu realmente sou
E te dou um doce...
Há mais por detrás
Dos dentes.
E meus pobres
Cabelos brancos
Escondem meus
Troféus...
Decifra-me
E eu te devoro...
Com calma
E carinho...
(prometo)
Há muito mais
Em minha epiderme
E meus dedos
São de veludo...
Deixa-me brincar
Com seus cabelos
E meus lábios
Sentirem os seus...
Te darei um beijo
De borboleta...
O paraíso fica
Logo ali...
Decifra-me
E eu te devoro.
Entre uma taça
De vinho
E uma música
Suave...
Sou amante
Antigo
E ofereço
Flores...
Tenho poemas
Saltando pelos
Ouvidos
E a paixão...
Veja nos meus olhos...
Decifra-me
E eu te devoro
Calmamente
Conhecendo seu
Rosto com os dedos
E os lábios...
Decifra-me
E deixe
Que eu também
O faça.
Sou menino
Carente
Mas...
Se quer saber...
Decifra-me
E eu te devoro...

sábado, 12 de dezembro de 2009



PEQUENOS POEMAS SENSUAIS

AMOR MENINO
Autor: Carlos H. Rangel

Meu amor de menino
É pequenino
Para você...
Mas cresce
Cresce, cresce
Todas as vezes
Que te vê...

HOMENINO
Autor: Carlos H. Rangel

Sou seu menino
Feio
De desejos
Lindos
Esperando
A piedade
De um olhar
E te tornar
Real...
Força feminina
Derrotando
Minha fortaleza
Sensual...

COISAS DE BAR
Autor: Carlos H. Rangel

Alguma coisa
Anda colorindo
Essa caminho...
Que perfume gostoso
O hálito
Desta gente...

 SE
Autor: Carlos H. Rangel

Se você me ama
Jogando no dengo
Sua sensualidade,
Me entrega teu corpo
Num martírio louco
De sua virgindade...


EXÓTICA
Autor : Carlos H. Rangel

Meu corpo clama:
Me ama
Deixa eu mergulhar
No quase profundo
Fosso carnal
Essa minha fome
Animal.

Deixa eu lamber
Um pouco do sal
Que te cobre o corpo
E me queimar em
Sua febre natural...
Meu corpo clama
Pelo gozo mútuo
Sem vergonha
Sujando colchas
Lençóis e fronhas.

Meu corpo clama
Me ama
Me arranha com sua gana
Me leva para sua cama
E me faz viver uma noite
Santa ao som
De música profana...

184 - ALMA
Autor: Carlos Henrique Rangel

Quantas faces
Tenho?
Quantas fases?
Quantos sou?
Sou camaleão
E me disfarço.
Às vezes desfaço...
Do que fui ou sou
Para ser melhor...
Original?
Não sei...
Quantas faces
Tenho?
São tantos
“Eus”
Que brigo
Comigo...
Até perco.
Mas tenho
Alma...
E como diz
Fernando Pessoa:
“De tanto ser
Só tenho alma”



sexta-feira, 11 de dezembro de 2009


183 - DESEJOS
Autor: Carlos Henrique Rangel

Ela brinca com os desejos...
Sabem quem a quer...
Atrás do nome ela o viu.
Curiosa, ela descobriu
O peixe...
E se divertiu...
Ela brinca com os desejos
Assustou com o que descobriu.
O príncipe é um sapo...
Mas sapos amam...
Ela entendeu?

Ela brinca com os desejos...
Mas quais são os desejos?
Ele pode querer tudo...
Talvez ele não queira nada...
Quem sabe dos desejos?

Ela brinca com os desejos...
Pode brincar...
É linda... Inteligente...
E a juventude lhe permite tudo...
Quase tudo...
O que ela quer?
Quem sabe...
Quem vai saber...
Ela brinca com os desejos...

Ele sabe brincar...




182 -ESSA MENINA
Autor: Carlos Henrique Rangel

Essa Menina
De olhar tímido
Não me vê
Imagina...
Cruza as pernas,
Joga o cabelo
Brinca com os dedos...
Essa menina...


Eu também
Brinco de olhar...
Desvio
Faço que não estou
Mas os olhos cruzam
E um instante
São horas
E transmitem poemas,
Emoções, desejos...


Essa menina...
Eu toco de leve
Sem tocar.
Ela joga o cabelo
Vê o chão.
Finge que olha
Sem olhar.
Eu...
Beijo o copo
Sorrio para o lado
Espero,
Sem esperar.


Essa menina...
Música vibrante
Faísca desejos.
Brilha no ar.
Eu que não
Sou bobo
Alvo à vista...
Ponho-me
A olhar...


Essa menina,
Tímida menina,
Me aguarda
Sem aguardar...
Eu brinco com o copo,
Mexo a cadeira...
Acho que vou lá...


Essa menina...

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009





A FLOR E O MENINO
Autor: Carlos Henrique Rangel

O Menino viu a flor...
A flor viu o Menino?
O menino
tem seu tempo de Menino.
A flor
O seu tempo de flor.
O tempo do Menino
Não é o tempo da flor...
Mas o Menino
Assim como a flor
Vivem intensamente
O tempo vivido.
O tempo do Menino
É rico em novidades.
O Menino saborea
O mundo,
Mastiga, degusta
O mundo.
A flor vive o mundo.
Sente o tempo
Do mundo
E ao sabor do vento
acompanha o mundo.
O Menino vê a flor.
A flor vê o Menino?
O Menino sente a flor.
Cheira a flor.
Entende ou tenta
Entender... A flor.
Colhe a flor com cuidado
De Menino...
O tempo do Menino
Continua...
A flor
Decora o jarro
Sobre a mesa.
O Menino viu a flor.


E a flor ?
Viu o Menino?





terça-feira, 8 de dezembro de 2009



ASAS
Autor: Carlos Henrique Rangel

Minhas asas
Me incomodam
Na cama...
Estico sonolento
E vejo
Suas sombras
Na parede...
Voar faz
Bem
A mente
E eu bato levemente
As asas
Para ver
Com calma
A realidade
Que quero.
Minhas asas
São brancas
Quase transparentes
E desfilam
Suas penas
Pelos caminhos
Que trilho.
Roçam levemente
Aqueles que quero
E se escondem
Dos que não podem
Ver...
Minhas asas
São jovens...
Eternas...
E me acompanham
Na lida.
Mas...
Me incomodam
Na cama...
E me levanto
Para vôos noturnos...
Minhas asas...
São brancas ...
E as suas?






181 - DIA DE CHUVA
Autor; Carlos Henrique Rangel

Minha alma está úmida
E geme infinitamente
Nesse caminhar constante.
O Sol se escondeu
E meu coração nebuloso
Bate melancólico
No dia a dia
Arrastando as horas...
Onde está a luz?
Nem túnel vejo...
Apenas choro as dores
Como menino...
Quero dormir eternamente
E acordar em dias de Sol...
Minha alma está úmida
E geme eternamente...
Preciso de Sol
Preciso de Sol
Preciso...
Preciso...