terça-feira, 20 de julho de 2010

396 - LIMITES
Autor: Carlos Henrique Rangel

Limites...
Fadas nunca os têm...
Eu, esse pobre ser do mar
Só sei voar sobre as águas...
Nunca pelo ar...
Mas você não tem limites.
Fadas nunca os têm.
E sempre tem quem ouça
O flanar das leves asas
Desfilando belas palavras...
Eu apenas observo.
Observar é a minha sina
Já o disse...
Você não tem limites...
Fadas nunca os têm...
397 - GRITO
Autor: Carlos Henrique Rangel

Grito seu nome
Em silêncio
E não espero resposta.
Desabafo...
Ainda te quero
Mas não imploro mais.
Chega!
Viva a sua vida.
Eu tentarei...
Grito seu nome
Mas você não faz bem.
Quero o bem
De outro bem.
Viva sua vida.
Eu tentarei...
Serei feliz de novo
Ou tentarei.
Lá fora, você será o que quiser.
Eu serei o que puder.
Esquecer-te não quero.
Apenas não quero sofrer.
Ainda grito seu nome
Em silêncio.
Ainda te quero.
Mas chega.
Não imploro mais.
Quero o bem de outro bem.
Viva a sua vida...
Eu tentarei.


398 – JARDIM
Autor: Carlos Henrique Rangel

No meu jardim
Não nascem flores.
Espinhos...
Sim, nascem espinhos
Banhados de sangue
Dos meus arranhões.
Alimento.
Sim, crescem lindos
Os espinhos
Alimentados por mim.
Minha ambição masoquista
É te fazer um filho
Em meu jardim.
Não.
Não te odeio.
Você sim.
São suas as sementes
Do meu jardim.
Mas são lindos
Esses espinhos carmins.
Frutos do meu amor por ti.
Venha...
Deixe que rabisquem
Seu corpo
Enquanto sangra-me os lábios
Com seus beijos.
Façamos a continuidade
Nessa dor sagrada.
Meu sangue e o seu
Alimentando o jardim.

399 - PLATÔNICO
Autor: Carlos Henrique Rangel

E eu que nunca te vi
Vejo-te tanto...
Quase te toco.
E não sei de você
Um nada...
No entanto,
Tudo que sei me agrada.
É amor?
Sim.
Tantos amores existem
Que o meu amor por ti
É quase adoração.
Rezo por ti.
Oro para ti...
Meu anjo da noite...
Castelo de insônia...
Platônico?
Talvez...
Ainda platônico.
Por enquanto...
Platônico...
400  – PERTO DE MIM
Autor: Carlos Henrique Rangel

O que quero de você
É o que desejo para mim...
Você perto de mim.
Longe nossas brigas
E desencontros.
Você perto de mim.
Esqueça o que passou.
Passou.
Começaremos de novo
Esse amor.
Dê-me a mão
E o que puder...
Tudo pode ser...
Aprender com os erros.
Fortalecer os acertos...
Assim seremos felizes.
Tudo pode ser.
Beije-me os lábios
E o que quiser.
Selemos um pacto
De muito querer.
Façamos as pazes.
Seremos as pazes
Para o que der e vier.
O que quero de você
É o que desejo para mim.
Você perto de mim.

401 – AZUL
Autor: Carlos Henrique Rangel

Tudo pode ser azul
Nesse nosso mundo azul.
Mas há algum verde
E esse eu quero verde.
Mas você e seu branco rosto...
Quero ver-te.
Há vermelhos e amarelos terra
Onde o verde não impera...
Onde o azul do mar não alcança.
Mas a Terra é azul... E branca...
Branca como sua face, onde brilham
Esse seus olhos verdes...
Tudo azul quando te vejo...
Vermelho fico...
Tímido que sou...
402 – FICA
Autor; Carlos Henrique Rangel

Mil palavras
Dizem os toques...
Minha alma grita:
Fica!
Fica!
Para sempre fica.

Quando não há mais toque
O que fica?
Fico cheio de ausência...
E meu corpo grita...
Volta!
Volta!
Para sempre Volta.
Para sempre fica.

403 – SOMBRA
Autor: Carlos Henrique Rangel

Eu não chorarei as mágoas do mundo
Quando eu as sou...
Dentro de mim, esse poço de dramas
Vegeta a felicidade como um bonsai.
Nada cresce nesse peito em luto...
Apenas a dor, essa infeliz amante
Acompanha-me as noites
E enxuga minhas lágrimas.
Quase não há mais...
A fonte está seca
E eu sou o que sou.

Sombra do homem que fui.


404 – FIM
Autor: Carlos Henrique Rangel

Se o mundo acabasse amanhã
Desligaria o computador
E correria à rua para contar estrelas...
Nunca contei estrelas...

Se não houvesse amanhã
Daria nome às pedras.
Leria um poema.
Rabiscaria seu nome na testa...
Se o mundo acabasse amanhã
Hoje teria mil horas...
Veria de novo aquele filme.
Beijaria-te de novo
E de novo
E de novo
Até o amanhecer...
Do fim do mundo.
405 - DIVAGAÇÕES
Autor: Carlos Henrique Rangel

O que ofusca a mente
Deturpa quem sente.
Reflete o que sente
O espelho que mente.
Tudo é contrário
Do lado de lá.
Esquerdo é direito
Direto é esquerdo.
O que está lá
Não é o que está cá.
Nada é permanente
Nesse mundo de viventes.
Só é eterno o que deixou
De ser.
Só permanece imutável
O que parou
Por continuidade não ter.


406 - TIC TAC
Autor: Carlos Henrique Rangel

O relógio
Tic tac.
Bate as horas
Tic tac.
Soa o tempo
Tic tac.
Que não para...
Não para tic.
Não para tac.
Toda hora
Tic tac.
É hora
Tic tac.
E nova hora
Tic tac.
Não há nada
Que pare
O tempo.
Nada tic.
Nada tac.
Mesmo
Que o relógio
Pare.
Sem tic.
Sem tac.
O tempo tic
Continua tac.
Eternamente
Tic tac
Tic tac
Tic tac
(Para minhas filhas)

segunda-feira, 12 de julho de 2010


393 - DESISTI
Autor: Carlos Henrique Rangel

Estou alugando
Meu Eu...
Emprestando...
Dando...
Estou cheio de mim.
Não me suporto mais...
Com você eu aprendi.

Minha voz me cansa
E os pensamentos...
E essas mãos?
Esses gestos...
Desisti de mim
Quando você não me quis.
Também não quero...

Estou alugando meu Eu.
Emprestando...
Dando...
Vou me deixar na rua.
Quem sabe alguém
Precise de um Eu...
Ou você...
Que se arrependeu...

Desisti de mim
Mas não de você...
Tenho esperanças
Em você.
Meu eu está gasto
E há muito o perdi.
Não me suporto mais
Sem você.

Meu eu
Deixo na rua
A espera de alguém...
Que seja você.

394 - QUERER
Autor: Carlos Henrique Rangel
Para você tudo
E um pouco mais.
Dê-me seu querer
Que quero tanto...
Serão dois os que querem
Seremos um ao querermos.
Para você tudo
E um pouco mais.
Meu desejo dá volta ao mundo
E encontra o seu mundo.
Dê-me seu querer
Que quero tanto
E seremos muito mais.
Pra você tudo
E um pouco mais.

395 - DO ALTO
Autor: Carlos Henrique Rangel

Do alto eu vejo o mundo
E tudo parece ser o que não é.
Faltam rostos aos seres do mundo.
Quase não são.
Quase nada é.
Há movimentos e ruídos nessa noite.
E do alto eu vejo luzes...
Só elas são nesse mundo
De homens que não são.
E eu estou só...
E há multidão...
A sacada convida ao salto.
Eu não vou...
Ainda não.
Há beleza nesse não existir.
Nesse lugar de ninguém.
Quem sabe amanhã...

quarta-feira, 7 de julho de 2010

392 -SAUDADE
Autor: Carlos Henrique Rangel

E senti saudade
Da saudade que tinha...
Você voltou
Mas não era o que eu queria...
Idealizei você na ausência sentida
E você era linda
E você me amava...
Sinto saudade da saudade sentida...
Você mudou?
Ou eu te mudei?
Eu não sei...
A saudade sentida era mais querida.
Sinto saudade da saudade finda.

1246 - ESPECTRO