segunda-feira, 30 de novembro de 2009

172 - UMA SÓ VEZ
Autor: Carlos Henrique Rangel

Era uma só vez...
Era uma só vez...
Um homem
Uma mulher
E era
Uma só vez...

Aconteceu
Em um bar
Aconteceu...
E era
Uma só vez...

Ela sorriu
Ele sorriu
Sorrisos
Sem nomes.
Sorrisos...
E era
Só uma vez...

Beberam
O que se bebe
Nas noites
E riram
E sorriram
E se beijaram...
E era só
Uma vez ...

A noite durou muito...
Um dia ou dois...
Quando acabou
Se separaram
Se afastaram...
Era uma
Só vez...

Mas …
A saudade
Dos beijos
Dos sorrisos
Do amor...
Se encontram
Mais uma vez...
E era
Uma só vez...

Anos depois
Ainda estão juntos.
Sabem nomes
Sobrenomes
E se amam...
Muito.

E era
Uma só vez...

domingo, 29 de novembro de 2009

171 - Encantamento

AUTOR: Carlos Henrique Rangel

Tantas coisas me encantam...


Me encanta
O caminho da chuva.
O cheiro de comida.
O bezerro mamando.
O velho com a flor...


Me encanta
O choro de criança.
A torneira pingando...
A moça na janela
O moço olhando...


Me encanta
O casarão colorido.
O carro de boi.
O peixe no lago...


Me encanta
O plástico voando.
A rosa solitária...
O sino da igreja.
A imagem da igreja.
A beata na igreja...


Me encanta
O apito do trem.
O vento no cabelo.
O congado passando...


Tanta coisa me encanta...


Me encanta
A moça sambando.
Os profetas de Congonhas
Como me encantam...


Me encanta
O ontem lembrado.
Minha mãe no mercado.
A pizza de domingo...
A cama do hotel...


Me encanta
A novidade do amanhã
E sua insegurança...


Me encanta
O postal.
O e-mail.
O jornal...


Me encantam
Os pombos da praça.
O suor do trabalhador.
A fotografia na parede...


Tantas coisas me encantam...


A cor da pele.
A pele...
A cor do cabelo.
O cabelo...


A calçada portuguesa...
O ônibus lotado
Também me encanta...


A dança
E quem dança...
E quem olha a dança...


Tantas coisas...


A mosca na sopa.
A pedra no caminho.
O caminho...
O caminhar...


Me encanta
O artista de rua
A rua...
O vendedor de bala...
A bala...
A moça bonita.
A bala...


Tantas coisas me encantam
Que fico encantado
E maravilhado
Com tantos encantos...


A vida...
A VIDA ME ENCANTA!
APENAS UMA MULHER II
AUTOR Carlos Henrique Rangel

Apenas uma mulher
E seu sorriso
De feliz
Que diz
Em cada curva do corpo
Um pouco de muito.


Apenas uma mulher
E muitas mil
Nas emoções e reações
Nas respostas diárias
Várias...
Apenas uma mulher
E muito mais
Eu vejo em seu jeito
De fera nervosa
Raivosa
Gostosa
Esbanjando a força do sexo
Como guerreira orgulhosa.


Apenas uma mulher
Arvore frondosa
De raízes firmes
E emoções ao vento
Alimento
De fomes e desejos.


Apenas uma mulher
E eu mesmo
Sobre os lençóis cobertos
Abertos
Para o que der e vier
No silencio noturno
De nossa intimidade.







APENAS UMA MULHER
Autor: Carlos H. Rangel

Apenas uma
Mulher
Eu desejo
No vai e vem
Do meu leito.
Apenas uma
Mulher
Neste momento
Em que a
Intimidade
Exclui amigos
E recebe
Bem a doce
Sonoridade romântica
Da noite...
Apenas uma mulher
E seu calor
Repetido...
Seu gemido conhecido
Ocupando o espaço
Dos mitos
No peito de
Um faminto...
Apenas uma
Mulher
Eu digo
E repito
Na velha
Fórmula poética
Dizendo amem
Aos céus
A dádiva
Que tenho
Recebido...

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

170 - SENHOR DOS SONHOS
Autor: Carlos Henrique Rangel

Eu te tenho em sonhos...
Em sonhos
Te toco o rosto
Roço os lábios
Com os meus...
Te beijo os cabelos...
Em sonhos...
Sou o Senhor dos Sonhos
Meus sonhos...
Em sonhos demonstro
Meu amor.
Te levo
A Paris
Roma
E Veneza...
Tomamos vinhos ou champanhe
Na Praça de São Marcos
Ou em um restaurante francês...
Sou Senhor dos Sonhos...
Em sonhos
Você me ama...
Caminhamos de mãos dadas...
Te ofereço flores e doces.
Em sonhos não te digo nada
E te falo tanto... E ouço.
E o seu calor me conforta
Em um abraço...
No cair da noite,
Nos segredos de um quarto,
Nosso amor nos faz um...
Sou Senhor dos Sonhos
E em meus sonhos
Sou parte de ti
e você é parte de mim.

Eu te tenho...
Em sonhos...
Sou o Senhor dos Sonhos...
Dos meus sonhos...

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

169 - FADA PERDIDA
Autor: Carlos Henrique Rangel

Minha fada sumiu...
É assim com as coisas
Do ar...
Seres elementais
São temperamentais...
Desaparecem,
batem as asas...
Ah essas fadas
da natureza
De cores tristes
E longos cabelos...
Elas te sorriem com palavras.
Te mostram mundos rurais...
Colorem praças...
E...
Desaparecem …
Batem as asas...
Eu que também
Tenho asas
Espero...
Eu sempre acredito...
Eu acredito em fadas,
Acredito
Acredito...
As Coisas Falam
Autor: Carlos Henrique Rangel

A Praça fala:
Falam os bancos.
Os jardins.
Falam as pedras.
Falam as Fontes.
E as Estátuas...
E os bustos...

As ruas Falam:
As pedras falam.
O asfalto fala.
As esquinas... Estas também falam.
Falam as árvores.
Os postes...
Os faróis... Os sinais...

A Igreja fala:
Falam as escadas.
Falam as portas.
Falam os vitrais.
E os bancos.
E os altares.
E as Imagens...
Estas falam muito...
E ouvem.

A Escola fala:
E suas carteiras.
E seus quadros negros...
A cantina...
E o Sino?
Esse fala, quase berra.

As casas falam:
Os telhados falam.
As paredes...
As janelas...
Os quartos...
As salas...
As cozinhas também falam.
E como falam...

A natureza fala:
Fala para os homens.
Também canta.
Também chora...
E como chora:
por causa dos homens...
Pelos homens...
As coisas falam:
De homens.
De homens do passado.
De homens do presente...
As coisas falam de vidas:
Tristezas, alegrias, sonhos...
Amores, dores, perdas...

As coisas falam dos passos dos homens.
Das construções dos homens.
Da construção de homens.
Da destruição de homens.
De homens entre homens.
De homens versos homens...

Todas as coisas falam...
TODAS!
De homens entre coisas.
De coisas de homens...
De coisas transformadas por homens.
De espaços modificados por homens...
As coisas falam...
Os lugares falam...
Ouçam...
Ouçam...
Ouçam...
(Estão ouvindo?)

terça-feira, 24 de novembro de 2009

168 - HOMEM PEFEITO
Autor: Carlos Henrique Rangel

Eu não faço tudo
Só o que você quer...
Eu te abro a porta
Faço o jantar...
Te mando flores
Quando você não
esperar...
O que você
Quer
Não precisa dizer...
Eu adivinho
No seu olhar.
Não sou o Homem
Perfeito
Mas tento.
Posso tentar...
Sei te tocar
Se você deixar
Se você quiser
Se você pedir
Se você implorar
Com um olhar...
Mas...
Penso, amo
E desejo
e também
Quero pedir
Quero olhar.
Adivinhe meus
Segredos...
Mas se não adivinhar
Eu posso sussurrar...
167 - QUARTA MARGEM
Autor: Carlos Henrique Rangel

Na quarta margem
à margem do mundo,
Os restos do mundo.
O que foi útil
E não é mais.


Na quarta margem
Desterrado, escondido
O que não quero mais.

Nas nebulosas 
E turvas águas
Se escondem o podre
Do mundo.


Sufoca o rio
E os seus
E desterra
Para o nada
Para a quarta margem,
O podre do mundo.


Na quarta margem
Bem no fundo,
Na alma do rio,
O fim de tudo.
O fim do mundo.
O nosso mundo...
EU ACREDITO
AUTOR: Carlos Henrique Rangel

O luminoso
Me gritou:
ACREDITE!
Acreditei...
No quê?
Não sei.
Quero acreditar
Em tantas coisas...
Em mim,
Na paz,
Em Deus...
Em Fadas...


Eu acredito em Fadas
Acredito, acredito...
Você não?
Que pena...
Acredite!
Acreditar
Está na moda.
Acredite no sinal.
No salário no fim do mês...
Em dezembro tem Natal...
Acredite no Sol e na Lua também...


Acredite que tudo é belo
Mesmo o que nos parece feio...
Acredite, tudo passa...
O Carro passa...
O ônibus passa...
A dor ... Soprando passa...
E Eu...
Acredito em Fadas...
ACREDITO!
ACREDITO...





segunda-feira, 23 de novembro de 2009

166 - PEIXE CAMALEÃO
Autor: Carlos Henrique Rangel

Tão perto
E tão distante.
Ali na esquina...
Qualquer esquina...
Eu a vejo
No espaço...
Real?
Surreal?
Nesse mundo
“Moderno”
Tudo é tão
Virtual...
Sou camaleão
E me disfarço
de peixe,
E o que sou
É mais...
Mas não me
Mostro tão fácil.
Ela é linda
E tão, tão...
E me segue
Um pouco.
Tão perto...
Tão distante...
Não conheço
Seu mundo,
Só vislumbro.
Mas a vejo
Todos os dias...
Menina mulher
De beleza impar.
Eu...
Sou peixe
Camaleão
E me mostro
Um pouco
Em palavras
Só em palavras.
Sou peixe camaleão.



BAÚ
Autor: Carlos H. Rangel

Quase esgotei meu baú
Com você...


Não vou mais falar de amor
Ou de dor para rimar
Com amor...
A dor de amor
É como pequenos
Choques
Mostrando-nos que ainda estamos
Vivos
Dói mas é bom....


Melhor falar de vida
Como diz Cora,
Faz-se poesia
Até com lixo...


Eu faço com sorrisos
Lágrimas,
Pombos
Janelas e flor...
Melhor é ter
Quem nos ouça/ler.
Eu fico aqui
Quase escondido
Brincando de te ver...
Já não sou Homenino
Sou mais velhomenino
Com fome de você...

domingo, 22 de novembro de 2009

165 - PEIXE
Autor : Carlos Henrique Rangel

Era uma vez
Um homenino
Que virou peixe.
Sim,
Virou peixe.
Para falar
De amor,
De sentimentos.
Quase oculto.
Palhaço...
Peixe palhaço...
Como peixe
Dizia coisas .
Sim,
Peixes falam...
Língua de peixes.
Sentimento de
Peixes...
Escondido nas águas
O homenino
Dizia o que pensava
e sentia...
Peixes também
Se apaixonam
E sofrem...
Mas as águas
Disfarçam
As lagrimas...
O homenino-peixe
Apaixona sempre
E sofre ...
Quase sempre...
Mas...
É um peixe,
E as águas....
Bem...
As águas,
Disfarçam
As lágrimas...

O homenino
Continua...
Sempre é bom
Nadar...
Em águas claras...
Águas claras...
Ás claras...
Para não chorar.
Mas...
Se chorar
Não tem problema,
As águas disfarçam
As lágrimas...
(Para você...)

sábado, 21 de novembro de 2009



164 - QUINTAL
Autor: Carlos Henrique Rangel

Eu já segui
Por aí
Esquecido
De mim...
Você me viu?
Em algum lugar?
Em alguma esquina?
Estou em tantos lugares
Que me perdi...
Minha mente
É o mundo
E eu não sei
De mim.
Mas sei de tudo...
A chuva
Já me molhou
Os olhos
E o Sol
Me queimou
O umbigo...
Senti frio
Nos ossos
E calor
Nos cabelos.
Já dormi
Em tantas
Camas
Que não sei
Onde estou.
Comi tantas
Comidas
Que meu paladar
Se irritou.
Eu já segui
Por ai
Esquecido de mim...
Não me viu?
Nem eu sei de mim...
Sou cidadão
Mudo
Perdido no mundo.
Vi tanto
Senti tanto
Que não vejo...
Mais...
Não como antes...
O mundo é
Meu quintal
Mas não encontro
A porta da cozinha...
Ai de mim...
Eu já segui
Por ai
Esquecido de mim...
Você me viu?



163 - SE EU FOSSE VOCÊ
Autor: Carlos Henrique Rangel
Se eu fosse você
Cuidaria de mim
E dos meus
E dos meus lugares
E minha memória
E minha história...
E o que lembra minha história...
Para ser mais “Eu”
Quero dizer “Você”...


Se eu fosse você
Não seria você...
Seria eu em você...
Você se perderia
No meu “Eu”...
Não Seria “Você”...


Se eu fosse você...
E não sou... Graças a Deus!
Para o seu bem
E o meu...
E o da humanidade...


O melhor
Seria... E é
Que você seja “Você”
Em toda sua sabedoria
E eu seja “Eu”
Com a minha falsa modéstia...


Em nossa singularidade
A certeza da diversidade
Da renovação...
Da compreensão...
Da transformação consciente...
Da preservação dos “Eus”
No contexto coletivo.

162 - PEDAÇOS
Autor: Carlos Henrique Rangel

Um pedaço de mim é branca ambição e veio de longe...
Do mar sem fim.
Outro pedaço de mim também veio do mar e é negra solidão.
Um pedaço de mim estava aqui e é rubra intuição.
Um pouco de mim é verde floresta. Outro amarelo ouro.
Um pedaço de mim é pura sensualidade.
Outro é devoção medrosa.
Um pouco de mim decora as igrejas. Outro tinge a terra de sangue.
Um pouco de mim observa das sacadas.
Um pedaço brinca nas praças...
Um pedaço de mim é ancião.
Outro é jovem canção.
Uma parcela de mim morreu em guerras.
Outra embriagou-se em festas.
Um tanto está na poeira das estradas.
Outro tanto nas gotas do rio.
Um pedaço de mim esta nas ferramentas.
Outra parcela nas peças...
Na comida vejo outro tanto. Na roupa um pouco mais...
Na louça, no veículo, na moça...
Eu vejo parte de mim...
Sou parte de tudo e em tudo me vejo. Em tudo estou...
Me faço em tudo.
Me construo com partes de tudo
e no TODO... SOU.





161 - TODO DIA
Autor: Carlos Henrique Rangel

Todo  dia
Tudo igual...
Mas diferente...
Todo dia
Uma luz
Ilumina meu rosto.
Um galo distante
Canta.
Pardais na janela...
Todo dia
Tudo igual...
Mas diferente.
O cheiro de café
O gosto...
O banho...
Acordei...
No ônibus
Pessoas de sempre.
Diferentes.
Conversas iguais
Mas diferentes...
Às vezes chove
Ou não.
Diferente...
Igual...
Todo dia
Um começo
Igual
Mas diferente.
Me sinto bem
Com o que é igual
Mas que bom
Que é diferente.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

160 - SEGUIDOR


Autor : Carlos Henrique Rangel


Sou seguido de mim


mesmo...


Que ironia...


Só eu e mais uma...


Um peixe solitário


Que segue a si mesmo...


Pobre jogador de palavras...


Ninguém ouve


Os sons que emito...


Sou seguidor de mim


Mesmo...


E não me arrependo...
159 - DE TAL MANEIRA
Autor : Carlos Henrique Rangel

Eu amei
Meu mundo
De tal maneira
Que me perdi
Em sua beleza.


E vi essa beleza
Em tantas coisas...
Pequenas e grandes.
O mar em
Seus tons azuis/verdes...
Os pequenos barcos
Dançando às ondas...
O coqueiro respondendo
Ao vento...
O menino mergulhando
Na espuma...


Eu amei o meu mundo
De tal maneira...


A velha igreja
Continua rezando
Missa...
O andar da Senhora
Tem seu tempo...
A menina me sorri
Criança...
O bar me serviu bem...
O cemitério é tão calmo
Que dá vontade
De ficar...
(não agora) .


Eu amei
Meu mundo
De tal maneira...


O Sol brilhante
E quente...
O desfile de moças...
A música tão nossa...
A lembrança
Do que foi
E do que é.
Ai, essa preguiça
Gostosa de lembrar...
A areia sobre os pés
Massageia a alma
E acalma...


Eu amei
Meu mundo
De tal maneira
Que me perdi
Em sua beleza...


O mar continua
Verde/azul
E compõe o quadro
Com o azul do Céu.
O coqueiro acompanha
A música
Em seu bailado.
A moça passou...
E era linda...


Eu amei
O meu mundo
De tal maneira
Que me perdi
Em sua beleza...
(Será que ela volta?)

158 - MEMÓRIAS
Autor: Carlos Henrique Rangel

Zé lembrava que era Zé,
Diminutivo do nome José.
Tinha idade e identidade.
Lembrava que tinha nascido
E se criado numa cidade com uma pequena praça.
Uma pequena igreja que viu o casamento dos pais e seu batizado
E seu casamento e as lágrimas do fim.
Zé lembrava dos bancos da praça.
Das árvores,
Das flores,
Das bolas jogadas,
Das moças...
Zé lembrava que um dia foi Zezinho, Garoto bonito, rei dos bailes...
Lembrava da escola que ficava na praça... De novo a praça...
A praça...
O mundo era a praça:
Da igreja,
Da escola,
Da casa da avó.
A praça das flores,
Das bolas, das moças...
Zé lembrava do fim das coisas:
Da escola substituída.
Dos jardins modificados.
Da igreja ampliada.
Do asfalto cobrindo as pedras...
Das moças já não tão moças...
Zé lembrava...
O mundo já não era a praça...
O mundo era maior:
Além da praça,
Além da cidade,
Além do país...
Mas Zé sabia...
Sabia que o Zé José
Só era Zé José
Por causa do mundo.
E o mundo do Zé José
Era a praça da igreja,
Da escola,
Da casa da avó,
Das flores e moças...
A praça de ontem,
A praça da infância,
Da adolescência,
Da juventude,
Dos cabelos brancos do Zé idoso...
A praça era o mundo.
O mundo do Zé José...

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

157 - Oi
Autor : Carlos Henrique Rangel

Uma menina
me disse oi um dia.
Apenas um oi
Em um dia que parecia comum
Não era...
Aquele oi me perseguiu
Como sombra
E eu dancei as horas
Como apaixonado...
Não sei o nome...
Um oi sem nome...
Meu coração menino
Pobre carente menino
Me envergonha …
Apaixonei por um oi...
Nunca mais vi
Nunca mais ouvi...
Se perdeu na imensidão
da metrópole
Entre outros ois, tchaus, adeus...
Foi um oi adeus?
Será?
Quem dera ouvir
Esse oi. e o que mais viesse...
Quem dera sugar desse oi
O perfume de seu halito...
Apenas um oi
E me perdi...
Em ais...
156 - CAVALEIROS DO APOCALÍPSE
Autor: Carlos Henrique Rangel

São quatro
Os moços parados.
E antigos.
Carregam livros...
Dois sentados
Dois em pé...
Nunca vi
Nem sei...
Há nomes
Em placa de prata
Mas não me dizem nada...
São homens
Antigos
E me faltam dados...
São quatro
Como cavaleiros bíblicos.
Importantes?
Devem ser...
Políticos?
Escritores?
Quem sabe?
Quem sabe
Não me diz muito.
Mas sei
Que são quatro...
Antigos...
E carregam livros...



155 -NA PALMA DA MÃO
Autor: Carlos Henrique Rangel

Na Palma
Da mão...
Segurei
O meu mundo.
Na Palma
Da Mão
Em cada linha
Em cada marca
Do tempo
Eu vejo
O mundo...
O meu mundo...
Nas calejadas mãos
O meu fazer
De mundo.
Nas cicatrizes
Escrevi
Meu Mundo.
Leia na Palma
Da mão
O que fiz
E sou...
Na Palma
Da mão
Segurei mãos
Para fazer
O meu mundo.
Tudo o que vê
Entre o Céu
E a Terra
Está na palma
Da mão
E no suor
que a purifica.
Sim,
Na Palma
Da mão
Carrego
O meu mundo.
Abra as mãos...
Veja o mundo
Em suas mãos...
Os abrigos
Os templos
As músicas
Do mundo...
Na Palma
Da mão
Também
A destruição
O ódio
O fim...
Na palma
Da mão
Vejo a solução.
154 - MURADA
Autor: Carlos Henrique Rangel

Naquela murada
Te beijei tímido...
Santa Murada
Santa Timidez...
A murada continua lá
A timidez se perdeu
No tempo...
Você me amou
Eternamente
Por anos.
Mas acabou...
Naquela murada
Tudo era eterno...
E você...
A murada continua...
Eterno simbolo
Do que foi...
E não é mais...
Tudo muda
E mudamos...
A murada não...
Ainda não...

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

153 - ALICE
Autor: Carlos Henrique Rangel

No País das Maravilhas
Alice brilha...
Entre coelhos
Elétricos
E rainhas raivosas,
Alice brilha...
No Espelho
As maravilhas
De Alice.
O terceiro andar
De Alice...
Entre gatos risonhos
Coelhos elétricos
E rainhas raivosas...
É tarde...
Muito TARDE...
Alice brilha..

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

152 - AMANHÃ PODE SER
Autor: Carlos Henrique Rangel

Amanhã
Pode ser...
Amanhã …
E será melhor...
Espera.
Se choveu
E o dia escureceu
Tudo bem,
Amanhã o Sol
Virá.
Se está quente
E o suor te
Cobre o rosto,
Tudo bem,
Amanhã a chuva
Virá
E te aliviará
O corpo.
O amanhã
É doce paliativo,
A esperança.
Espera,
Tudo pode
Ser melhor
Amanhã
E será.
Se não Deu
Certo hoje,
Amanhã
Certamente
Dará.
O Cansaço
Do dia
Atormenta?
Dorme.
Amanhã
Você pode
Continuar.
Ela não
Te olhou Hoje,
Mas amanhã
É outro dia...
Ela vai te olhar...
O amanhã
Sempre está
Por vir.
E pode chegar
Como um
Hoje melhor...
Então...
O amanhã
Pode ser...
Tudo pode
Ser...
Amanhã,
É só esperar.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

151 - A COR DA ÁGUA
Autor: Carlos Henrique Rangel

Qual a cor
Da água?
E do meu coração?
Dizem que meu
Coração é Vermelho
E a água...
A água não tem cor...
Não sei...
Já vi águas azuis
Águas verdes
E marrons.
Meu coração
Nunca vi
Mas sei...
É da cor
Do amor
Que sinto
Por você...
Qual?

Você sabe,
Não vou dizer...

1211 - VISÃO