domingo, 31 de janeiro de 2010

238 - GUERREIRO
Autor: Carlos Henrique Rangel

Um guerreiro pós moderno
Me deu suas armas e disse:
Vá!
Corre o Mundo.
Incendeia o Mundo.
Diga o que vê...
Como vê...
Brinque de escrever.
Fale do que foi dito.
Diga diferente o que foi dito.
Vá!
Seja eco do passado
De outro jeito.
Repita o Mundo
Com outra letra,
Com outra leitura.
Vá!
Espalhe as verdades
Esquecidas.
Seja moderno
Com pitadas de ontem.
Vá guerreiro antigo.
Jogue seu suor
Sobre as cabeças jovens.
Quem sabe incomode
Os gênios futuristas
Com mensagens óbvias.

Um guerreiro pós futuro
Me deu suas armas
E me disse:
Vá!
Polua o Mundo
Com verdades esquecidas...
Eu fui...
Estou aqui.


sábado, 30 de janeiro de 2010

237 - Montanha
Autor: Carlos Henrique Rangel

Meus pés cansados
Me levam para o alto.
A montanha é o meu objetivo,
Onde quero chegar...
Onde preciso... Por hora...
Na montanha
Quero me encontrar Ou me esquecer.

De novo meu fardo tem a cara do mundo.
E meu ombro se curva a cada passo.
Ficam pelo caminho as sementes
Do que não quero.
Mas sou colecionador de tudo
E preencho os espaços.
Sinto sede... De você...
Mas você ficou no caminho.
Seu lugar vazio espera quem vier.
No momento, chegar é o objetivo.
Quem serei no alto?
Não sei...
Quem sabe na decida eu veja mais
E te encontre melhor.
Por hora
Chegar é o objetivo.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010


236 - CONTRÁRIO
Autor: Carlos Henrique Rangel

O contrário ainda sou eu?

O que vejo no espelho
Sou eu?

Tudo está do outro lado.
Contrário.

O que há por trás
Do espelho?

Não vejo meus pensamentos
E eles estão lá.
Tanta coisa no lado de cá
Que não vejo lá...
Mas é a imagem
Que tenho de mim.
Contrária.
Incompleta.

O que você vê não sou eu.
Sou mais.
E quem pode saber?

O que vejo no outro
Também é o outro?

Ou o outro é mais
E o que vejo no outro
Sou eu?

Quando saberei da totalidade?

Algum dia me verei?

Mesmo que contrário?

Estou em pedaços...
Só eu sei de mim.

Alguns sabem alguma coisa.
Só eu sei de mim...

Será?

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010



235 - INVISÍVEL
Autor: Carlos Henrique Rangel


Invisível.
Invisível você diz...
Impossível me vê feliz.


Estou em toda parte
E em parte alguma.
Te sopro os ouvidos
E você se assusta.
Sou invisível
Para você.


Você sempre diz:
É impossível me vê feliz...


Em toda parte
Que vou te encontro
E você não.
Sou invisível para você
E para o mundo.
Meu corpo não te fala
Nem meu perfume
Te fere os sentidos.
Lhe sou indiferente...
Não existo...


Nada me importa
Se não me quer.
Desapareço para você
E o mundo...


Sou Invisível...


Então...
Tudo pode ser possível.
Mas enquanto não me vê
É impossível ser feliz.

Sou Invisível...



INVISÍVEL
Autor: Carlos Henrique Rangel
Eu sou seu
Homem invisível
Escondido atrás
Da máquina...
Um homem mudo
De palavras faladas
Mas ditas pelos dedos
Que tocam leve
As teclas como
Se te acariciassem.
Eu sou o homenino
Virtual
Que te ama
Em gigas
Que se esconde
Cheio de desejos
Diante da tela...
Eu te quero muito...
Mas sei que sou
Um homem
Invisível
Visivelmente
Perturbado
Por esse namoro
Virtual...

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010



234 - MARAVILHAS
Autor: Carlos Henrique Rangel


Foi Alice
Que me disse você.

Não havia maravilha
Sem você.
Meu país limitado
Era rotina
Não sentida
E a felicidade
Antiga era mentira.
Só você
Ocupou o mundo
Dentro de mim
E percebi a vida
Em outros tons.

Foi Alice
Que me mostrou você.

Maravilha das maravilhas.
Virtual fantasia.
Poesia...
E no entanto
Não te tenho perto.
Não como gostaria.
Não importa.
A realidade agora
É outra...

Alice
me disse você.


domingo, 24 de janeiro de 2010

DO PASSADO


TOQUES
Autor: Carlos Henrique Rangel

Olha,
Feche os olhos...
Fechou?
Minhas mãos tocam
Seus cabelos...
Sentiu?
Estão no seu rosto agora
Seguram suas faces...
Sente meus lábios?
Eles beijam seu rosto...
Seus olhos...
Seu nariz...
Sua boca...
Abra a boca...
Deixe que te sinta...
Que te veja
Por dentro...
Deixa...


Me sinta
E deixe que te sinta.
Me abrace
Assim...
Forte...
O seu calor...
O seu calor...
Sinta o meu corpo
Te completando...
Minhas mãos...
Deixa deslizarem
Sobre sua pele...
Sente?
Sinta meus dedos
Brincando em seu ombro...
No tronco...
Na cintura...
Deixa meu calor
Se unir ao seu...
Agora...
Agora me beije
Nesse abraço...
(...)

PRONTO!
ESTÁ BOM ASSIM.



sábado, 23 de janeiro de 2010



233 - E VOCÊ NÃO VIU
Autor: Carlos Henrique Rangel


Eu estava lá
Mas você não viu.
Foram os meus dedos
Que roçaram sua face
Afastando aquele fio teimoso.
Foram os meus lábios
Que passearam sobre seus olhos
De leve
Para não te acordar...


E você não viu...
E você não sentiu...


Oh maldosa manhã de Sol
Que me despertou
Da viagem...
Quero voltar a dormir
E sonhar com você.
Tocar seu corpo
Invisível e me desmanchar
De amor...
Não,
Não quero nada
Que não seja essa
Realidade fantástica...
Acordar não é real...
Quero dormir
E voltar a ser seu príncipe...


E você não viu...








232 - MSN
Autor: Carlos Henrique Rangel


- Oi...
- Oi.
- Me vê?
- Não.
- Por quê?
- Por que não.
- Por que não?
- Não dá.
- Pode dá...
- Não dá.
- Me vê?
- Não.
- Por quê?
- Já disse, não dá.
- Pode dá.
- Já disse. Não dá.
- Me vê?
- De novo, não.
- Por quê?
- Por que não...
- Pensa um pouco.
- Não.
- Então não pensa.
- Rs,rs...
- Então?
- Então o que?
- Me vê?
- Por quê?
- Para agente se conhecer.
- Não...
- Não quer me conhecer ou não quer me vê?
- Os dois...
- Tá...Vamos começar de novo...
- (...)
- Me vê?
- Ai meu Deus...



231 - BARULHO
Autor: Carlos Henrique Rangel


No barulho
Das mesas
Esse homem peixe
Apenas observa
O movimento.
Seu pensamento,
Quase um tormento,
É você...
Distante, irreal...
Para ele.
E você se derrama
Mulher
Em palavras e gestos.
Se mostra
E não...
E ele ama.
Você brinca de sorrir
Faz poses
E chama...
Ele ama...
Os ruídos do bar
Ele não vê.
Só esquece...
Pensa esquecer você
No copo dourado.
Mas é tão linda
Que o mundo
Se torna lindo
Na tristeza.

E ele sorri
Menino-peixe
E se deixa envolver.

No barulho das mesas
Também ele
É.







230 - VEM
Autor: Carlos Henrique Rangel


Meu sorriso
É do tamanho
Do mundo
E inunda
De raios
Os que estão perto.
É apenas sorriso
E tanto faz.
Você não viu?
Tanto faz...
Ele te ilumina o dia
Dizendo bom dia
E à noite: boa noite.
É o sorriso do mundo...
O bom mundo
O que te ama
O que diz oi
O que te quer bem
E que te espera
Em um canto da cama.
Sim,
Da cama.


Mas é o sorriso
De quem ama.
Que te quer
Perto do peito
Te ilumina
O dia e a noite
E te diz vem.


Vem!



229 - LIMITES
Autor: Carlos Henrique Rangel


Minha mente não tem limite.
Meu corpo sim.
Bato as asas e tento
Ver além do que posso.
Queria mais...
Essa prisão me poda a ação
Mas vôo mesmo assim.
Há seres interessantes nos ares
Como a fada
Que voa aqui...
Eu,
Pobre ser alado...
Limitado...
Tento prosseguir.
Não há limite
Para o que não tem limite
E minha mente,
Essa é livre...
Não tem limite
E voa assim

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010


228 - PASSO A PASSO
Autor: Carlos Henrique Rangel


Passo a passo
E passo
E vejo...
Me oferecem
Isso e aquilo
E eu passo.

Passo a passo
Eu vou
E passo
Vejo um paço
E passo.
Vejo o mundo
E Passo.
Vejo você
E o que faço?

E vamos...
Passo a passo
No ritmo do tempo.
Passam as horas
Passa o tempo.
Passa tempo.
Passa à tempo.

Passo a passo
Todos passam.
O paço passa.
Você passa...
Eu passo.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010


227 - ETERNA
Autor: Carlos Henrique Rangel

 

Vi o tempo passar
E você não estava lá.
O vinho, esse amigo.
Me acompanha na dor
E lembro...
Você será eterna todas
As noites...
Minha dor será eterna
Sempre...
Eu te verei no não lugar
Em futuro próximo.
Quem sabe você me queira...
Quem sabe poderemos
Recomeçar ou começar...
O tempo passa
E o vinho abandona
A taça...

É hora das lágrimas...


segunda-feira, 18 de janeiro de 2010


226 - Loucamante? Loucamigo?
Autor: Carlos Henrique Rangel


 Estou louco para você
Eu te digo
Eu te digo
Estou louco por você...


Mas não confie em loucos
Eles dizem por dizer
Pode haver verdade nisso...
É provável não ter.


Eu,
Se fosse você
Fugiria para um abrigo,
Longe desse papo antigo
E ficaria comigo...


De novo é coisa de doido
Quem disse que te quero comigo?
Para você sou quase amigo.
Ou serei um inimigo?



domingo, 17 de janeiro de 2010



225 - MÃO
Autor: Carlos Henrique Rangel

Tenho um poema
Na palma da mão.
Diga sim
E te abro o coração
Diga não
Não te mostro a mão.

Tenho curvas
Na palma da mão
São marcas da vida
Quase canção.
Diga sim
E te mostro a mão.

Diga sim
Seguro sua mão
Diga não...
Foi tudo em vão.



CORES
Autor: Carlos Henrique Rangel


A minha dor
é lilás, quase roxa...
Mas não sou
Só dor...
Meu sorriso
é branco neve
E te diz
Tanto...
Mas não sou
Só sorriso...
Tenho ódios
Vermelhos
que escurecem
São quase negros.
Mas não sou
Só ódio...
Sou felicidades
Amarela/ouro
E te ilumino
Em sorrisos
Brancos...
Mas...
Não sou
Só felicidade
Tenho momentos
De paz azul
Como o Céu
Como o mar distante...
Mas também
Não sou
Só paz...
Às vezes,
e são muitas
Essas vezes,
Sou um arco-iris
E alterno
Dores lilás
Ódios vermelhos
Felicidade Amarela
Sorrisos brancos
E uma grande
Paz azul...
Nesses momentos
Me sinto
Mais vivo
E me descubro
Multicor
Multi-emoções.
Sei apenas
Que
Quando
Te conheci
E te amei
Fui invadido
por uma grande
Felicidade amarela
E te sorri
Em tonalidades
De branco...
A cor
Dos seus olhos
Me responderam
Em paixão vermelha
E meu peito
Se preencheu
De azul...
É ISSO:
QUANDO ESTOU
COM VOCÊ
SOU AZUL.



224 - GOSTO
Autor: Carlos Henrique Rangel


Gosto:
De peixes...
De viajar
De sonhar
De ver o mar...


Gosto:
De BH
De flanar
De olhar
De namorar.


Gosto:
De conversar
De ouvir
De apreciar
De caminhar...


Gosto:
De falar
De amar
De amar
E de amar.


Gosto...
De te olhar
De te esperar
De te esperar
E um dia...
Te encontrar...


Gosto...
E vou gostar
De te dizer olá
De te tocar
E te beijar.


Gosto:
De você
De você
De você
E você?

Vai gostar?

Gosto tanto
E de tanta coisa
Que minha vida
É gostar.


223 - RENOVAÇÃO
Autor: Carlos Henrique Rangel


Cai a folha
Em terra
De folhas
E se perde
Na multidão.
A árvore se desfaz
Do que não é mais
E se renova em tons.
O caminho do tempo
É infinito
E não olha para trás.
O som do mundo
Não repete notas
Sempre há folhas
No chão.
Venta sobre
Os cabelos do ancião
E a criança não será mais.
Há uma nuvem
Anunciando águas...
Tudo olha o mundo...
Renovação.

sábado, 16 de janeiro de 2010



SOLIDÃO
Autor: Carlos Henrique Rangel


 Um carro. A buzina do carro . Um pequeno susto do rapaz cabeludo regado a respingos de cerveja. Ele sorriu sem graça correndo os olhos pelas mesas vazias. As horas no braço diziam o tamanho do atraso, um tempo a mais para reflexões. Concessão à solidão voluntária de um eterno melancólico.


A definição, de sua autoria, prevalecia há uma década em cumplicidade freqüente com várias marcas de cerveja. A menos querida da época, uma rebeldia inconseqüente contra a coletividade. A solidão talvez fosse uma defesa contra si mesmo. Contra um certo animal suicida que o envolvia com pessoas extremamente populares, intorpecidas pôr uma alegria vulgar. Este era o caso no momento. A moça era linda, de um sorriso de criança, quase santo. Dizia asneiras com a facilidade respiratória, com a consciência de marxista ortodoxo. Seus beijos eram ardentes, recheados de abraços carinhosos.


Ele gostava.
Das asneiras nem tanto. Dos carinhos, só até o ponto do orgasmo, quando a solidão interior ressurgia recheada de saudades das adolescentes satisfações individuais.


Ele lhe dizia poesias que ela achava suas, batendo palmas lacrimejantes. Ele sorria ou quase isso. Tentavam conversar sobre o dia a dia . Os poeirís casos familiares, as intrigas pouco sérias dos locais de trabalho. Ele quase achava que era igual a ela. Uma ilusão passageira. No fundo prevalecia o “chato”, o eterno infeliz acompanhado da pior cerveja.


O garçom trouxe outra e encheu o copo. Ele bebeu um pouco enquanto observava a ocupação ruidosa da mesa ao lado. Gritavam bobagens naturais de garotos em fim de semana, um passado que não enriquecia seu curriculum. Seus trinta anos lhe pesavam como cinqüenta e as brincadeiras juvenis feriam seu tempo.
Ela chegou sorridente distribuindo cumprimentos aos garçons, atrapalhando- lhe o cabelo e se sentando ruidosamente. Ele fingiu um sorriso, deu-lhe um beijo profundo e se irritou com as arestas salgadas de euforia que lhe feriram o paladar.


- Demorei porque a Beth ... Sabe a Beth? Aquela ruiva? Pois é, a Beth me segurou um pouco numa loja. Mas aqui estou lindinha para você. – Disse ela eufórica.
- Tudo bem. Não foi tanto assim. - Resmungou ele enchendo o copo trazido pelo garçom.


- E ai, me conta como foi seu dia. - Pediu ela quase mecanicamente olhando distraidamente para os lados .


Ele contou tentando colorir um dia sem brilho de um bancário insatisfeito. Tirou do bolso um cigarro. Deu algumas tragadas e o jogou ao chão.


- Fiquei com saudades... Quase te liguei... - Disse ele mentindo.
- Porque não? Eu ia gostar. Gosto quando você liga. Sua voz me alegra, ajuda a levar o dia - disse ela acariciando-o.


O beijo foi bom. Ele mergulhou em torpor conhecido, sentindo, digerido e se anulou covarde adiando o inevitável... Amanhã talvez, quem sabe...




222 - ROTINA
Autor: Carlos Henrique Rangel


Sobre a luz quase noturna
De ontem
Lembro de seus olhos distantes
Nada quentes
Nada vivos.
Gemas frias, cansadas...
Esperando trégua.
Te sorri amor amarelo pálido...
Me retirei cabisbaixo...
Mergulhei em minha solidão carnal
Erguendo um muro triste,
Cotidiano, urbano
E bebi doses de ansiedade
Te esperando...
Hoje te vi melhor
No café da manhã
E esperei o beijo que veio
Nada frio
Nada feio.


Redimiu a noite.






221 - PIEDADE
Autor: Carlos Henrique Rangel

Piedade
Piedade...
Pede o fiel
À Santa...
Sobe montanha
Limpa o suor...
Piedade
Piedade
Ó Senhora
Do Senhor...
Lamenta o fiel
Ganhando a montanha.
Piedade
Piedade
Pede a senhora
Ao lado do senhor...
Piedade
Pelas lutas
Piedade pela miséria
Piedade pela fome...
Piedade Senhora
Do senhor...
Daí-me luz...
Daí-me força...
Daí-me trabalho
E pão do dia
E de cada dia...
Por favor Senhora...
Piedade
Piedade
Diz o romeiro
Diz a romeira...
Sobem montanha
Suam suas dores...
Piedade
Piedade
Senhora
Da Piedade...


Senhora
do Senhor.




220-QUATRO PAREDES
Autor: Carlos Henrique Rangel


Entre quatro paredes
Eu te disse verdades
Que acreditou.

Entre quatro paredes
Te dei minha vida
E te prometi um pouco mais.
Suei meu amor com você
E beijei seu corpo
Como único...


Entre quatro paredes
Esqueci as horas
A seu lado
Do seu lado
No seu lado...


Entre quatro paredes
O nosso mundo...
Lá fora é outra história...


Entre quatro paredes
Sob a coberta
Sou íntimo do seu corpo
E te pertenço para sempre


Lá fora é outra história.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010



219 - ALÉM
Autor: Carlos Henrique Rangel


Fui além do que esperava do Mundo
E não mexo no passado...
Não modifico...
Releio sempre...
O mundo me é caro
E... Minha cara, você também.
Vi mais do que poderia
Minha vã filosofia de classe média.
E estou aqui... Ainda.
Mas fui além do que poderia
E que pensava querer.
Mas faltou você...
Além de você, mais nada...
Em tudo fui além
Menos com você.
Mas eu continuo...
Continuo sempre...
Fui além do que esperava do Mundo.





218 - A Caixa II
(para não dizer que não falei das caixas)

AUTOR: Carlos Henrique Rangel


A caixa
Carrega o mundo.
O mundo que importa.
Mundo mineiro
De tamanho diverso
Cheio de vidas locais...


A caixa fala de gente
E fazer de gente.
Quase dá para sentir
O suor dos brincantes
O cheiro de mofo dos casarões
O cheiro de comida salgada/doce
O cheiro de vela adorando...


A caixa respira vida mineira
Centenas de caixas...
Milhões de vidas...


As cores são muitas...
Muitos sobrados
Muitas igrejas
E fazendas
E sítios de homens do passado
Negros e índios...


Espaços de homens
Se espremem nas caixas.
Parecem iguais
Quase vulgares em seu formato.
Mas as caixas...
As caixas são diversas
Mineiramente diversas
E belas
Como os seus fazedores
Esse povo culto e oculto
De Minas Gerais.





1202 - ROMEU

1202 - ROMEU Autor: Carlos Henrique Rangel