segunda-feira, 4 de janeiro de 2010



211 - PASSAR
Autor: Carlos Henrique Rangel


Às vezes sento quieto
E vejo o tempo
Passar ao meu redor.
O mundo não pára.
E continua infinitamente.
Não volta , não dá volta
Segue enfrente.
Nada se repete
E tudo é novo de novo.
Parecido mas diferente...


As linhas no meu rosto
São construídas devagar
Calmamente...
E os fios castanhos
Estão cinzas
Em minha cabeça.
Aquela menina
Virou uma moça...
E Eu não estava lá...
Dizem que o tempo
Não é linear
Que tudo está no ar:
Passado, presente, futuro...
Eu vejo
Como um caminho
Sem volta.
Não dá para voltar.
Tudo passa.
Não existe pausa.
Não dá para
Repetir a fala.
Só continuar
Só continuar...
Continuar...
Continuar...







210 – ROMÂNTICO
Autor: Carlos Henrique Rangel


Como todo bom romântico
Choro minhas mágoas
Em bar...
Ela estava lá...
Com outro.
E sorria felicidade...
Eu tristeza,
Apenas olhava
Seus olhos de escuridão
Medindo o lugar...
Me viu e sorriu
Sua indiferença
E eu achei
Que era para mim...
E por que não seria?
Tudo pode ser
E eu sei sonhar...
Ela brindava à vida
E eu observava...
O outro não era nada...
Para mim.
Como todo bom romântico
Bebi outra e me fartei
de olhar...
E sorrir quando ela sorria...
Ela me via e ria.
Seus olhos
De fruta negra
Bailavam e paravam
Em mim...
A música era
Suave quando ela veio...
Me assustei mas fingi.
Me beijou o rosto
E gritou o nome.
Eu repeti...
Ela sentou...
Como bom romântico
Eu ouvi seu mundo
E ofereci o meu...
Ela gostou.
Mergulhou em cerveja
E me pertenceu.
Como bom romântico
Lhe dei o paraíso
e um pouco mais...
E me encontrei
Ou me perdi.
Como bom romântico
Seguro sua mão
Em mesas...
E observo
Seus olhos negros
Medindo os espaços...


E espero que não haja
Mais românticos
Sonhando mágoas.



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