domingo, 5 de dezembro de 2010


438 - ACABOU
Autor: Carlos Henrique Rangel

Ainda mastigo aquela palavra
Dita de forma pausada:
Acabou!
As letras têm gosto amargo
E ferem a boca
E ferem os lábios...
Acabou!
A rua parece deserta
E trombo na multidão.
Não ouço os carros
Não ouço as vozes...
Mastigo a palavra:
Acabou!
Salta uma lágrima
E outra a segue.
O mundo se nubla
E o meu peito...
Acabou!
Sorriem estranhos
Riam estranhos!
Eu sofro...
Acabou!
Caminho fiscalizando
O chão...
Há rachaduras
Que não via...
Podres lixos humanos...
Piso o que não desvio...
Acabou!
Minha dor
Ultrapassa a pele
Minha morte
Espreita-me no rio.
Não tenho sentido
Sou todo sentido...
Acabou!
Não verei mais a Terra.
Não quero mais a Terra...
Mastigo as palavras...
Transpiro tristeza.
Sou o fim do que fui.
Acabou!

439 -ALMA
Autor: Carlos Henrique Rangel

Por que
Ser tão pequeno
Se o mundo
É grande
E minha alma...?
Correrei o mundo
Em cadeira.
Melhor...
Será melhor...
Voando...
Há mais coisas
Entre o céu...
E eu as quero.
Aprender...
Aprender...
É o que quero
Enquanto houver
Ar nos pulmões.
Não me limite
A alma.
Essa que nunca
Foi pequena.
E eu...
Não quero ser.

440 - TUDO
Autor: Carlos Henrique Rangel

Sentado
Em solitária mesa.
Os sentidos
Observam o mundo
Das redondezas.
São como países
Intransponíveis...
Galáxias isoladas...
Meu mundo limitado
Apenas observa...
Somente o garçom
Tem livre trânsito
Neste universo...
Vende alegria
Esse astronauta altista...
A cerveja é a flor
Do meu mundo
E eu cuido.
Esvazio o cálice...
Alimento-me
Do fel que cabe
Nesse pequeno tudo.
Não haverá espaços
Para turistas.

Que não venham!

Eu me basto...
Acho...
A cerveja,
Essa flor que fertilizo
Com os lábios,
Alimenta-me...
É o fel que cabe
A esse pequeno macho.

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1194 - TEMPO

1194 - TEMPO Autor: Carlos Henrique Rangel