quarta-feira, 31 de março de 2010

296 - ECOS DO PASSADO
Autor: Carlos Henrique Rangel

Por que me detesta
Criatura vã?
Que mal te fiz
Para irromper
Minhas entranhas?
Destruir minha
Estrutura?
Sou filho dos seus
Como você.
Útil fui.
Útil sou.
Mas não me
Quer aqui
Nesse novo mundo
Que não acho novo...

Eu já não sou
O que fui
E como sou
Não te sirvo
Mais.
Mas sei tanto...
Posso contar de você
E dos seus.
E te faço lembrar
O que esqueceu.
Então,
Não me odeie
Ou me despreze.
Sou testemunha
Do começo.
Não apresse
O seu fim.
    294 - MINHAS MÃOS
Autor: Carlos Henrique Rangel

Me diga então...
Não sou adivinho.
Eu também Caminho
E recolho as flores que estão.

Você em minhas mãos...

Carrego o mundo
Em manuscritos.
Coração perdido.
Não sei de amores
Mas você está
Em minhas mãos...

E te levo com tudo...
E não sei o que quer.
Não sou adivinho.
Também caminho.
Recolho a flores...

Você em minhas mãos.

295 - CASTELOS
Autor: Carlos Henrique Rangel

Nada mais frágil do que castelos de areia
Nada mais eterno que ondas em praias.
Sempre estarão lá as areias
E as ondas do mar.
Os castelos,
Esses vem e vão...
Caprichos de homens
Caprichos do mar...
Como as vidas dos fazedores,
São lampejos
Um piscar...

Mas que lampejo.
Mas que piscar...

segunda-feira, 29 de março de 2010

293 - PERFUME
Autor: Carlos Henrique Rangel

Em minhas mãos
O seu perfume...
Está em minhas mãos
O seu cheiro
De mulher.

E te transmito
Aos outros
Com delicadeza.
Sou mensageiro
De você.

Espalho-te
Aos quatro cantos...
O mundo vira
Você.

Pelas minhas mãos
Repasso-te
E o mundo
Fica melhor.
Mais perfumado...
Mais você.

Doce perfume
É você.
Flor de você.

domingo, 28 de março de 2010

289 - FLOR NO CAMINHO
Autor: Carlos Henrique Rangel

Uma flor no caminho
Me lembrou você.
Branca margarida
E eu não recolhi.
Melhor assim...
Como você,
Ficou no caminho
Distante de mim.
Uma simples flor
Simples você.
Você não me quis
A flor... Eu não quis.



Casarão do Inconfidente Abreu Vieira
290 - SOMBRAS
Autor: Carlos Henrique Rangel

Sombras da noite.
Os que foram
Ainda estão.
Choram o passado
No ranger
Das portas.
Ninguém os vê
E estão lá
Ensaiando a vida
Que não é mais.
Há senhores
E servos.
Cúmplices do tempo.
Solidários
Do que foi...
Somos intrusos,
Invasores
De cotidianos
Antigos.
O casarão
Não lhes pertence
E a nós
Muito menos.
Não sabemos
O suor das paredes...
As lágrimas nas janelas...
São deles os sangues
Na poeira.
As dores no assoalho...
Nós...
Não apreendemos
Nada.
Não aprendemos
Nada.
As sombras
Da noite
Continuam as rotinas
Do tempo
Enquanto houver
Vestígios do tempo...
Enquanto houver
Tempo.

291 - PRAIA DO MUNDO
Autor: Carlos Henrique Rangel

A praia do meu mundo
Fica Ali na esquina
Onde suo minhas mágoas
Em líquidos gelados
Pensando em você.
Atravesso mundos e fundos
Para morrer na praia
Entre iguais desajeitados.
Ex-amados, ex-felizes...
Atuais desgarrados,
Solitários, cansados...
A praia do mundo
Tem areias sujas
E águas mal cheirosas.
E você não está lá...

(Somente em pensamento...)
Eu mergulho nesta solidão
De momento
E me afogo
Na sarjeta movediça.
No outro lado do mundo
A esperança me espera...

sábado, 27 de março de 2010

288 - ESSAS PALAVRAS
Autor: Carlos Henrique Rangel

Essas palavras
Que saltam do peito,
Dizem o possível
E o impossível.
O que quero
E o que gostaria.
Essas palavras
Ainda são palavras
E limitam o que quero
E o que poderia...
Essas palavras...
Há mais por trás.
São suadas,
Cheiram a almas
E lágrimas...
Ainda são palavras.
Calejadas...

Palavras...




287 - FLUIR
Deixe que a água corra
Ela sabe o caminho
O doce caminho...
Amar é um chocolate
E desfruto cada pedacinho.
Deixar fluir...

O amor também sabe
seu caminho.


285 - Alguns Porquês
Autor: Carlos Henrique Rangel

Se não me quer
Por que me olha?
Se me olha
Por que não me quer?

Eu te olho
Eu te quero.
Se não olhasse
Não te queria.

Por que me observa
Se me nega?
Se me nega
Por que me observa?

Eu te observo
Eu não te nego.
Se não te observo
Te nego...

Por que não me quer
Se eu te olho?
Por que me nega
Se te observo?

Você me olha
Você me observa.
Me queira
Não me negue.
Serei seu
Serás minha.
Serás minha
Serei seu...

Serás minha...

286 – OLHOS ABERTOS
Autor: Carlos Henrique Rangel

De olhos
Bem abertos
Eu vi os seus.
E eram verdes
Como o espelho
Do rio.
Esmeraldas vivas
Que me faziam
Vivo.
Quanta juventude
Vi
No brilho que vi.
E você era tudo
E eu...
Um nada carente.
De olhos
Bem abertos
Te vi desfilar
E lamentei
Ser o que sou.
Essas pedras verdes
Não me verão
E eu,
Não pisarei o rio...
Somente em sonhos...

Sempre os olhos...
Fascínio...
Janelas da alma
Que mostram o que não se pode ver.
Os olhos falam das verdades mais íntimas.
Aquelas que tememos entender.

  CURIOSIDADES: Um discípulo perguntou a seu mestre: "Mestre como é a vida após a morte?" O mestre calmamente respondeu: "Nã...