sexta-feira, 15 de janeiro de 2010



218 - A Caixa II
(para não dizer que não falei das caixas)

AUTOR: Carlos Henrique Rangel


A caixa
Carrega o mundo.
O mundo que importa.
Mundo mineiro
De tamanho diverso
Cheio de vidas locais...


A caixa fala de gente
E fazer de gente.
Quase dá para sentir
O suor dos brincantes
O cheiro de mofo dos casarões
O cheiro de comida salgada/doce
O cheiro de vela adorando...


A caixa respira vida mineira
Centenas de caixas...
Milhões de vidas...


As cores são muitas...
Muitos sobrados
Muitas igrejas
E fazendas
E sítios de homens do passado
Negros e índios...


Espaços de homens
Se espremem nas caixas.
Parecem iguais
Quase vulgares em seu formato.
Mas as caixas...
As caixas são diversas
Mineiramente diversas
E belas
Como os seus fazedores
Esse povo culto e oculto
De Minas Gerais.





quinta-feira, 14 de janeiro de 2010


217 - A CAIXA
Autor: Carlos Henrique Rangel


Em cima do armário
a Caixa...
A velha Caixa da Mãe...
Peguei curioso
do que já sabia...
Dentro, “as Coisas”
da Mãe...


Uma foto amarelada
mostra um senhor de bigode...
Sério como deveria ser.
A Mãe dizia que era o seu avô...
Meu bisavô...


No queixo a semelhança...
Na seriedade não...


Um solitário botão... Ordinário... Comum...
Para mim...
Que mistério havia naquele botão de camisa de homem?
Quantas vezes perguntei?
Quantas vezes o silêncio e os olhos em lágrimas?


No saquinho de veludo, três dentes...Meus...
Lembranças da antiga infância...


Um papel dobrado... O desenho de João
quando tinha seis anos... Tem cinqüenta hoje...


Outros papeis... Cartas de amor do Pai e de outro...
Amarelas, manchadas de lágrimas...


Um cartão postal em preto e branco de uma praia...
Um cartão de Natal da Vovó... Dezembro de 1957...


Mais fotos:
Dos meus aniversários e dos de João...
Tanta gente nas festas... Tantos que se foram:
Tio Lipim, Tia Zélia, Tio Toninho... Vovó...
O Pai...A Mãe...
Se foram...
As lágrimas vêm...
Fecho a caixa e me permito lembrar...


terça-feira, 12 de janeiro de 2010



216 - TANTOS CAMINHOS
Autor: Carlos Henrique Rangel


São tantos os caminhos
Do Mundo
Que não sei se volto
Ou continuo.
Se para leste
Ou oeste.
O sul me parece
Gelado...
E o norte
Não me deixa entrar.


Sou do Terceiro Mundo
E o meu caminho
É de classe média.
Na medida do possível
Faço curvas,
Dobro esquinas,
E te encontro no sinal
Onde todos param.
Onde todos repensam
A caminhada.


São tantos os caminhos
Do Mundo
Que me restrinjo às voltas.
Sempre à esquerda
Sempre à esquerda...
E eu nem sou...

Sou menino antigo
Que caminha sem rumo.
Meu pé esquerdo
Segue o direito.
Os passos nunca
São juntos...
Não pulo, caminho...
E confuso...
São tantos os caminhos
Do Mundo...
E eu continuo
Caminhando.
Sempre caminhando
sempre
Caminhando
Caminhando
Caminhando...





215 - PANDORA
Autor: Carlos Henrique Rangel


Se abrir
Não há volta.
Assuma os sentidos,
Tudo vem atona.
Tudo chega a você.
E para o bem
Ou para o mau
Afetado estará.


Se abrir
Verá o mundo
De antes...
O que foi
E não é mais...
Não como antes.
E você sorrir
E você chora
E você lembra...
E você quer esquecer...
Dói mas é bom...


Se você abrir
Aceite os fantasmas
Dê-lhes guarida.
Ouça...
Sinta...
Se você abrir
Pode ser
Que o futuro esteja...
Vislumbre...
Do que pode ser.
Possibilidade.


Eu sei...
Não há volta.
Se você abrir
Afetado estará.


A indiferença
É palavra morta.
Afetado estará...


Para sempre...



sábado, 9 de janeiro de 2010



CLAMOR DE GAYA
Autor: Carlos Henrique Rangel

Sintam o sangue
Da ferida.
Meu corpo esta
Em crateras
Desnudo de verde.


Dor...
Dor...
É o que sinto
e os vivos,

Alados ou não

se derramam no chão.

Não fecundam nada.

Se vão pela ganância...

Em vão...

Sujam meu

sangue

e ele se seca.

A seiva da vida

se vai

e o que fica?


Ó morte...


Eu sei destruir

No sofrimento...

Minhas lágrimas

Te sufocam e cobrem

Suas criações.

Vocês não são

Dignos do que sou.

Minha mão descerá forte

E a solidão...

Sinta o sangue

Da ferida...


Eu sobreviverei

Vocês não...






214 - VEM
Autor: Carlos Henrique Rangel


Vem!
Segura minha mão.
Te levarei onde nunca...
Te mostrarei o mundo...
O meu...

Vem!
Perto de mim
Não há frio
Nem solidão.
Sou trilha sonora
Do seu coração.

Vem!
Segura minha mão
Na outra ...
Uma flor ou coisa qualquer.
Te dou  o carinho
Que quer
O que precisa,
O que Vier.

Vem!
Sou seu agora.
Agora...
Tudo é seu
Quando meu.
Sou brisa
Sobre os seus...

Vem!
Te dou a Lua
E um pouco mais...
Aquela montanha...
O que quiser...
O que você quer?

Vem!
Me siga
Me ame
Me dê a mão.
Te levarei onde nunca...
Sou trilha sonora
Do seu coração.


sexta-feira, 8 de janeiro de 2010


213 - SER VOCÊ
Autor: Carlos Henrique Rangel


Eu sou o que você é...
O que você é
eu sou...
O que você é?
Sou?
Serei?
Não sei...
Mas podemos ser
Se você quiser
Se eu quiser
Se quisermos nós
Ai sim,
O que você é
serei
O que eu sou
serás.

  CURIOSIDADES: Um discípulo perguntou a seu mestre: "Mestre como é a vida após a morte?" O mestre calmamente respondeu: "Nã...