quarta-feira, 9 de dezembro de 2009





A FLOR E O MENINO
Autor: Carlos Henrique Rangel

O Menino viu a flor...
A flor viu o Menino?
O menino
tem seu tempo de Menino.
A flor
O seu tempo de flor.
O tempo do Menino
Não é o tempo da flor...
Mas o Menino
Assim como a flor
Vivem intensamente
O tempo vivido.
O tempo do Menino
É rico em novidades.
O Menino saborea
O mundo,
Mastiga, degusta
O mundo.
A flor vive o mundo.
Sente o tempo
Do mundo
E ao sabor do vento
acompanha o mundo.
O Menino vê a flor.
A flor vê o Menino?
O Menino sente a flor.
Cheira a flor.
Entende ou tenta
Entender... A flor.
Colhe a flor com cuidado
De Menino...
O tempo do Menino
Continua...
A flor
Decora o jarro
Sobre a mesa.
O Menino viu a flor.


E a flor ?
Viu o Menino?





terça-feira, 8 de dezembro de 2009



ASAS
Autor: Carlos Henrique Rangel

Minhas asas
Me incomodam
Na cama...
Estico sonolento
E vejo
Suas sombras
Na parede...
Voar faz
Bem
A mente
E eu bato levemente
As asas
Para ver
Com calma
A realidade
Que quero.
Minhas asas
São brancas
Quase transparentes
E desfilam
Suas penas
Pelos caminhos
Que trilho.
Roçam levemente
Aqueles que quero
E se escondem
Dos que não podem
Ver...
Minhas asas
São jovens...
Eternas...
E me acompanham
Na lida.
Mas...
Me incomodam
Na cama...
E me levanto
Para vôos noturnos...
Minhas asas...
São brancas ...
E as suas?






181 - DIA DE CHUVA
Autor; Carlos Henrique Rangel

Minha alma está úmida
E geme infinitamente
Nesse caminhar constante.
O Sol se escondeu
E meu coração nebuloso
Bate melancólico
No dia a dia
Arrastando as horas...
Onde está a luz?
Nem túnel vejo...
Apenas choro as dores
Como menino...
Quero dormir eternamente
E acordar em dias de Sol...
Minha alma está úmida
E geme eternamente...
Preciso de Sol
Preciso de Sol
Preciso...
Preciso...
PALMA DA MÃO
Autor: Carlos Henrique Rangel

Meu mundo
É central
E se esconde
No peito
Como um coração.
Meu mundo
Bate forte
Toca o seu ser
E cabe na palma da mão.
Meu amor
Foge do meu mundo
Sem razão.
Não mordo...
Muito...
Só sou verdadeiro
Quase não mudo
E meu mundo
É como um coração
Bate forte
E te espera
Ponha a mão...
Venha viajar
Pelo mundo...
Sinta o mundo...
Ame o mundo...
É como um coração.
Bate forte
E cabe na palma da mão...


180 - DUENDE E OUTROS
Autor: Carlos Henrique Rangel

Por que tanto medo
Deste ser da natureza?
Não te quero mau...
Não seria o contrário?
Nós só queremos
Que nossa morada
Permaneça...
Somos seres da Natureza.
Sou feio?
Talvez... Para os padrões
De vocês...
Mas... olha,
Olha direito...
Com o coração...
Sou bonito
E do bem...
Meu bem...
(Algumas fadas acham...)
Não tenha medo.
Não vivo no armário
E não mordo.
Estou nos jardins
De sua casa
E brinco com
O seu pequeno cão...
Eu e os meus
Amamos Gaya
E todos os elementos.
Essa é a nossa natureza...
Não me vê?
Alguns duvidam
Da nossa existência
Mas somos reais
Como seu sorriso
De princesa...
Não tenha medo
De mim
Sou do bem...
É a minha natureza...


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Minha mãe, quando pequena via duendes ao pé da cama...
Achava que eram capetinhas... Tinha medo...
Um dia viu um desenho de duendes e descobriu
que capetinhas não existem...
Duendes sim...
http://www.rosanevolpatto.trd.br/anoesgnomos.html


http://www.contandohistoria.com/gnomos.htm
179 - A SEMANA
Autor: Carlos Henrique Rangel

SEGUNDA FEIRA


Os negros escravos sorriam.
O Senhor sorria.
A Senhora devotada admirava o sobrado novo
De novas portas e janelas e sacadas.
Orgulho da família.
Orgulho da rua...
Orgulho da Cidade.


TERÇA FEIRA


A Jovem senhora,
Rosto suado do grande esforço,
Chora ao ver a criança.
Pequeno rebento...
O herdeiro esperado.
A negra sorri para o Senhor:
- É menino!
O Senhor abre a janela e explode:
- É menino!
O povo na rua acompanha a alegria:
-É MENINO!


QUARTA FEIRA


O senhor de meia idade
olha com tristeza o sobrado onde nasceu.
No velho paletó desbotado, a foto de outros tempos...
Um último olhar...
O adeus...


QUINTA FEIRA


Presa às sacadas, a placa com o nome da Escola.
O menino despede da mãe e olha o sobrado.
“Templo do Saber”...
Segundo lar...
Primeiro dia de aula...


SEXTA FEIRA


O senhor de cabelos grisalhos, olha com tristeza
O Sobrado abandonado...
Lembra da professora Ana que lhe ensinou
as primeiras letras...
Um grupo de garotos passa
E uma pedra quebra a última vidraça...


SÁBADO


A chuva caia forte sobre o telhado envelhecido.
A madeira range...
Uma telha cai sobre a rua...
Um pouco mais, outro rangido...
A cobertura cai de vez...
Com ela, duas paredes laterais...
Um carro passa devagar.


O motorista olha sem olhar...


DOMINGO


Banda de música, foguetes, sorrisos, discursos.
O prefeito admira a nova Prefeitura...
Um velho senhor em cadeira de rodas
não sorri...
Em sua mão enrugada
uma fotografia em preto e branco
mostra um grupo de meninos uniformizados...
Um Sobrado ao fundo...
Discursos, sorrisos, foguetes, banda de música...
Uma lágrima banha a velha foto...


(Segunda feira ninguém sabe o que será...)



segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

178 - MENINA FADA
Autor: Carlos Henrique Rangel

Aquele rosto
Brinca
Em meus sonhos
E quase ouço
A sua voz
Declamando
Suas verdades.


Linda de corpo
E alma...
E eu a vejo
Em sonhos...


Nas ruas e coletivos...
Nos cinemas e bares,
Observo os rostos
À sua procura.
E às vezes
Quase vejo...


Por onde anda
A menina fada?
Que caminhos trilha?
Onde distribui seu sorriso?
Ou não caminha?
Voa...


Preciso olhar
Para o alto...
Quem sabe...


Nos sonhos
A vejo sempre...
Até já segurei
Sua mão...
Sim,
Segurei...
E era pequena
E delicada,
Uma pluma...
Mas...
Só em sonhos...
E em sonhos
Passeamos
Pelo seu mundo
E o meu.
E trocamos versos...
Em sonhos...


Por isso a procuro
No mundo
Entre carros e ruídos
Entre gentes...
Não encontro...

Preciso olhar
Para o alto...
Quem sabe...

  CURIOSIDADES: Um discípulo perguntou a seu mestre: "Mestre como é a vida após a morte?" O mestre calmamente respondeu: "Nã...